quarta-feira, setembro 16, 2009

A COPA DO MUNDO E O MONOTRILHO

A melhor alternativa para a cidade, na avaliação do arquiteto do instituto, que leva o nome de um dos maiores especialistas do País no assunto, Carlos Ceneviva, é o Bus Rapid Transit (BRT), implantado com sucesso em Curitiba (PR) ainda na década de 1970.
Em Manaus, o Expresso se espelhou no BRT, mas faliu em 2004 porque não seguiu o que prevê o sistema. Ele foi idealizado e implantado pelo arquiteto Jaimer Lerner em 1974, durante sua gestão como prefeito em Curitiba. O projeto da Capital do Estado do Paraná é tido como modelo e foi copiado por várias cidades brasileiras e de outros Países.
Mesmo com a vantagem de ser um veículo rápido, uma única linha de monotrilho, como defende o governo estadual não atenderá a demanda local, sendo muito para sustentar o contingente de pessoas que uma competição desse porte traz, muito menos a demanda do Estado, podendo apresentar os mesmos problemas de Manaus, o principal deles é a superlotação.
O modelo que poderá melhorar o transporte coletivo de Manaus é o Metrô, nos modelos das grandes cidades como Rio de Janeiro e São Paulo e em Segundo Plano o Bus Rapid Transit, que consiste em um sistema que trafegam em corredores exclusivos. Diferente do que foi feito em Manaus com o Expresso, se o projeto original do BRT for seguido, os efeitos são mais duradouros.
O modelo original de BRT prevê o alargamento das ruas e a construção de faixas exclusivas alem da já existentes, diferentes do que foi feito no Expresso na administração do ex-prefeito Alfredo Nascimento, atual Ministro dos Transporte. O sistema que custou inicialmente R$ 112 milhões aos cofres da prefeitura de Manaus em 2002, foi desativado dois anos após essa data por ineficiência.
Além de Curitiba, o BRT foi implantado com sucesso em outros países, como na cidade Bogotá Capital da Colômbia. Nesses lugares que tem populações superiores a de Manaus, foi utilizado o projeto original e os resultados obtidos foram positivos.
O monotrilho em Manaus, pode se tornar ocioso após a realização da copa de 2014, o alto custo do sistema pode elevar o preço da passagem ao ponto de tornar o serviço pouco utilizado pela população. A melhor opção para Manaus é o BRT porque a cidade é muito extensa e com grandes vazios urbanos, que é resultado da ocupação desordenada.
Ao custo de R$ 995 milhões do projeto apresentado pelo Estado prevê a construção de uma linha com 13,8 km de extensão ligando a zona norte ao centro de Manaus, a partir do terminal 3 (T3) de integração do bairro Cidade Nova.
De acordo com o projeto do Estado, a população de Manaus pagará uma tarifa de R$ 2,50. Quem comprar a passagem com integração terá que desembolsar R$ 3,50. A modalidade dará o direito, segundo o governo, ao uso do transporte coletivo convencional no desembarque do monotrilho no terminal de integração.
O governo defende que o monotrilho reduzirá, em média 26 minutos a viagem da zona norte ao centro de Manaus. Na sua defesa o Estado sustenta ainda que o monotrilho foi escolhido porque além da mobilidade, irá reduzir o nível de poluição do ar, uma vez que será movido a energia elétrica.

domingo, agosto 16, 2009

ESPORTE ARTIFICIAL

No esporte de alto rendimento, a tecnologia roubou do atleta a condição de agente de competição. O esforço humano não é mais natural, mas artificial. Maiôs que ajudam a deslizar na água com menor atrito, tênis com amortecedores que impulsionam o pé, colantes que diminuem a resistência do vento e substâncias químicas que produzem melhores resultados, mais energia, mais explosão muscular ajudando o corpo humano a ficar menos humano. O resultado dessa combinação de ciências e esforço físico nas piscinas e pistas de provas de atletismo é um ser mais necessário e menos biológico.
A essência do esporte é justamente superar, até onde seja possível, o tempo e o espaço, e as barreiras que a física impõe, apenas com a capacidade física impõe, apenas com a capacidade física e psicológica. Qualquer mudança na biomecânica do corpo, a partir de agentes externos, tira do atleta sua intrínseca capacidade de adaptação ao meio ambiente. Por mais que alcance os recordes e medalhas de ouro, não há méritos próprios, mas fabricados artificialmente. Se o atleta forma sua personalidade competitiva a partir dos recursos naturais de que dispõe, o caráter é justamente a primeira vítima do doping. O atleta perde sua própria identidade. Seus feitos passam a ser lembrados como resultados de trapaça e a imagem que fica é a da vergonha e não da glória.
É o oposto do princípio olímpico e da gravitas – dignidade em Latim. “o importante é competir” deu lugar ao “ganhar” a qualquer preço Gravitas também tem o significado de total e severa determinação. Era a virtude que inspirava e moldava o caráter dos soldados gregos e romanos, os primeiros atletas conhecidos. Os gregos principalmente os atenienses, celebravam a forca física dos músculos e dos ossos.
Para moldar a anatomia, treinavam a exaustão em condições iguais. A superação de um sobre outro dependia da determinação de levar o corpo ao limite e acreditar ser melhor que o oponente. O vencedor não era o que utilizava a espada, mas o que treinou mais, por mais tempo e com mais afinco para manejá-la. É o melhor treinamento que faz o atleta e não o melhor recurso tecnológico. Este lhe acrescente vantagem na disputa, mas o impede de ser competitivo por suas próprias forças.
Os competidores da era moderna estão entrando para a própria história pela falta de escrúpulos e pudor. Turbinam o corpo com reações químicas artificiais como o meio mais curto para alcançar a vitória como se vencer fosse apenas chegar à frente dos demais. A verdadeira glória está em superar a si mesmo, indo além das limitações biológicas e da força da gravidade. Chegar em primeiro é só um detalhe inconscientemente ignorado.
A dúvida que se propõe à reflexão é: porque, diante de uma vasta e avançada tecnologia média para detecção de doping, os atletas ainda se dopam? E por que recorrem à tecnologia menosprezando as próprias limitações humanas?Umas das explicações é a inversão do princípio de Pheidippides, o soldado grego que morreu após correr 45 quilômetros para anunciar a vitória dos gregos sobre os persas na batalha de maratona. Observando que não basta mais competir por um ideal, mas pela fama pura e simples. A outra é a escravidão tecnológica. Não dá mais para viver sem as maravilhas futuristas. Tudo se tornou artificial, até o esporte.

CIDADE E ESPAÇO URBANO: UMA NOVA VISÃO DO URBANISMO SUSTENTÁVEL

A ocupação do solo deve ser repensada e aproveita a oportunidade, já que estamos fazendo a revisão do Plano Diretor para sugerir algumas mudanças. Devemos sim trabalhar o urbanismo sustentável, todos nós defendíamos um contra ponto ao crescimento das cidades como são hoje, que dão preferência ao automóvel, onde há uma separação das funções e fazem com que os cidadãos precisem usar o automóvel para conseguir saúde, lazer, moradia e trabalho, além de outros afazeres.
Existem ao todo nove conceitos que guiam o urbanismo sustentável: uso misto, densidade controlada, prioridade de pedestre, equilíbrio, conectividade, paisagismo, prédios verdes, espaços públicos atraentes, cidades apropriadas para os cidadãos.
Estes conceitos resgatam uma forma antiga das cidades, que é ter apartamento, escritórios, lazer e trabalho tudo na mesma rua, a uma distância caminhável. O carro é uma forma de transporte burro, causa o aquecimento do planeta, ocupa o espaço e as calçadas públicas, que deveria ser das pessoas, torna a cidade barulhenta, suja, desumana. Por isso a idéia é resgatar a mistura de funções da cidade. Isso já está tão forte que em alguns lugares da Europa existem prédios com até três funções.
Além do uso misto, se deve priorizar, o pedestre. Fazemos isso através da largura das calçadas, ciclovias, dimensão das ruas e paisagismo.
A cidade deve ser confortável para quem caminha.
Outra questão é o censo de comunidade. As cidades hoje sofrem com espalhamento, por isso elas foram perdendo identidade. Ninguém mais tem a sensação de pertencimento, não sabem mais de onde são. Por isso, criar esse senso é importante, já que torna as pessoas mais felizes, mais seguras.
Também devemos nos preocupar com a densidade. A cidade tem que fugir da moradia familiar elas são essencialmente danosas ao meio ambiente porque carecem de muitos serviços de infra-estrutura para poucas pessoas e isso é caro para o morador, como também, ao meio ambiente. Se todo mundo morasse em casa, nós já teríamos nos mudado paro o terceiro planeta porque não haveria mais espaço. O ideal seriam entre 400 a 800 habitantes por hectare, isso otimiza os serviços urbanos, reduz o consumo de CO2, a poluição atmosférica da luz, etc.
As cidades também precisam de conectividade, ou seja, elas precisam estar ligadas fisicamente e integradas às áreas de entorno. Ainda tem a questão da diversidade econômica dos cidadãos. Isso significa que não podem ter só ricos nem só pobres no mesmo bairro, todos podem conviver mais ou menos em harmonia no mesmo lugar. Porque uma pessoa teria que morar a três, quatro horas de distância do trabalho só porque é mais pobre ou mais rica? Tem que ter mistura social.Também é preciso ter equilíbrio no ambiente entre áreas construídas e áreas naturais, isso infelizmente não é visível em Manaus, onde o que não observamos são áreas verdes em cidades da Amazônia. As cidades perderam contato com a natureza. Você olha 360 graus e não vê nenhuma árvore, por isso tem que haver ligação com ambientes naturais, principalmente em cidades dos trópicos úmidos como é o caso de Manaus na Amazônia. Ligações, com rios, matas. lagos, igarapés e parques para onde quer que você olhe, deve haver natureza. Isso faz bem às pessoas, além de trazer outros benefícios, como evitar as ilhas de calor.

domingo, julho 19, 2009

DINHEIRO PÚBLICO PARA O FUTEBOL AMAZONENSE QUE É UMA INICIATIVA PRIVADA

O Amazonas já foi considerado uma potência no futebol regional, diz o censo comum. Porém, uma análise mais aprofundada sobre o futebol amazonense atual revela uma realidade assustadora: não há nenhum clube local na primeira divisão do futebol brasileiro, a chamada séria A. Acrescente-se a isso, o fato de que, na atualidade, tanto o Nacional Futebol Clube, quanto os demais clubes são reféns dos recursos públicos repassados pelo Governo do Estado, como também, pela Prefeitura Municipal de Manaus para se manterem em atividades.
Iniciativa esta que dificulta todo mês a prestação de contas dos clubes com o Tribunal de Contas do Estado, haja vista, que as notas ficais não têm validade e tampouco CNPJ das empresas prestadoras de serviços aos clubes, fora o desvio de presidentes incompetentes e inescrupulosos para a gestão de um clube.
Portanto, os clubes amazonenses tornaram esses recursos como salários e despesas das competições, porém não aplicam na formação de jogadores nas categorias de base, que na maioria das vezes são direcionadas por homossexuais sem a devida formação e caráter para lidar com esta categoria tão importante para suprir o time profissional.
Na relação custo-benefício o dinheiro dado pelo Governo do Estado e Prefeitura de Manaus aos clubes amazonense de futebol não atendem, nem uma coisa nem outra. Os recursos são usados para pagar salários, hospedagens, alimentos , viagens e a prestação de contas dessas despesas é tão obscura quanto o futebol apresentado pelos clubes. Como esse vício se repete anualmente, sem que os clubes reservem uma parte para investir na formação de jogadores, os prejuízos se acumularam e o contribuinte vê seu imposto murchar feito bola furada nos gramados.
De acordo como os últimos dados divulgação pelos variados meios de comunicação do Estado, o Governo do Estado destinou a cada clube profissional em 2004, a importância de 60 mil reais, por certas participações no campeonato local, tivemos também contemplados: Nacional, Rio Negro, Clipper, Libermorro, Fast, Princesa do Solimões, Sul América e Grêmio Coariense.
Neste mesmo ano a federação Amazonense de Futebol – FAF, para custear despesas administrativas recebeu 110 mil reais.
O são Raimundo ganhou mais 700 mil reais pela participação na séria B do Campeonato Brasileiro. Enquanto o Nacional e o Rio Negro foram contemplados, cada um com 40mil por participarem da Copa do Brasil e mais 350 mil reais pela presença do campeonato brasileiro da série C.
Nos últimos quatro anos, 2005, 2006, 2007 e 2008 foram dados R$ 6,2 milhões de mão beijada, sem que essa verba se transformasse em títulos. Na última semana o presidente do Nacional divulgou que o governo vai aplicar um milhão para o clube voltar a série C no próximo ano e como é de praxe, dinheiro público. Segundo a Secretaria Estadual da Juventude ,Esporte e Lazer – SEJEL, os recursos do Governo do Estado, relacionados aos anos anteriores foram:

Quadro 1: Recursos do Governo do Estado – Secretaria Estadual da Juventude, Esporte e Lazer (SEJEL)
Fonte: Jornal Diário do Amazonas – Manaus, 24 de agosto de 2008, p. 9.


Quadro 2: Recursos da Prefeitura de Manaus – Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (SEMESP)
Fonte: Jornal Diário do Amazonas – Manaus, 24 de agosto de 2008, p. 9.

Parece contraditório, que de 1996 a 2007, o são Raimundo conquistou cinco títulos estaduais, três copas Norte e o vice-campeonato da Série C. No período entre 2005 e 2007, o clube recebeu 2,4 milhões.
A tese de que o Estado e o Município não investem em nossos clubes cai por terra. O que há, na verdade, é o mau gerenciamento dos recursos públicos, injetados indevidamente no futebol profissional.
O Futebol do Amazonas, segundo Carlos ZAMITH (2008) há pouco tempo anda capenga. Não há perspectivas de volta tão cedo aos bons tempos do final da década de 60, ao menos até o inicio dos anos 80.

sábado, julho 18, 2009

PRAÇAS E PARQUES PÚBLICOS: O FLUXO DO FIXO.

Ao longo da história, as praças sempre serviram de ponto de encontro para os moradores das cidades, verdadeiros espaços públicos de convivência. Sua origem está vinculada às ágoras da Grécia – centros comerciais, administrativos e políticos das antigas polis gregas, onde eram discutidos assuntos importantes para a vida dos cidadãos. Das ágoras, derivaram o fórum imperial romano e as grandes piazze e praças das principais cidades européias.
No Brasil, as praças começaram a surgir no entorno das igrejas. As residências mais suntuosas, os prédios públicos mais relevantes, os principais estabelecimentos comerciais, tudo era construído próximo a esses logradouros públicos que serviam, também, de elo entre a comunidade as paróquias.
No caso de Manaus, a primeira praça publica localizava-se nas proximidades da antiga igreja Matriz de Nossa senhora da Conceição e do Fortin de São Jose da Barra do Rio Negro, marco inicial da ocupação da cidade.
As transformações urbanísticas de uma cidade espelham claramente as mudanças efetuadas na sociedade ali instalada e a história das praças de Manaus é um exemplo claro, dessa afirmação. Apesar de os admiradores manifestarem algumas preocupações com as praças, arborização e calcamento de ruas e calcadas desde a época imperial, pouco foi realizado neste sentindo até a última década do século XX, pois não se dispunha de verbas suficientes nem para serviços mais elementares.
Conforme Prof. Dr. Vanderlan Santos Mota em seu livro intitulado: Espaços Públicos de Lazer em Manaus: O Papel da Políticas Públicas (Valer, 2008). As praças constituem-se como especificidades sobre a forma da cidade e várias foram desfiguradas ou desapareceram. Entre as que foram desfiguradas pode-se destacar a Praça Adalberto Vale nos anos cinqüenta com a construção do Hotel Amazonas; a Praça Tamandaré, em frente à Capitania dos Portos; a praça dos Remédios, com a construção de uma casa de comércio na área fronteiriça à praça General Osório, ocupada como área exclusiva pelo Colégio Militar.
Entre as que desapareceram: a praça Visconde do Rio Branco para a construção da Escola Técnica Federal do Amazonas; as praças publicas General Carneiro e Floriano Peixoto no bairro da cachoeirinha. A primeira foi inicialmente transformada em dois campos de futebol sendo gradativamente ocupada pelo Conjunto Kubitschek e, posteriormente, pelo Palácio Rodoviário. A segunda foi doada ao Exercito para a construção do Hospital Geral e área residencial para militares.
Também foram extinta em Manaus as praças: Riachuelo, Paysandu, Rio Branco, Benjamim Constant, N. Senhora De Fátima (Praça 14 de Janeiro), Monte Cristo, Ribeiro da Cunha (José Lindoso), Sargento Manoel Chagas e praça João Pessoa (Bola do Olímpico).
O desaparecimento de praças na parte central da cidade, como vista para uma cidade urbanizada, nos possibilita compreender quais as prioridades que norteavam as políticas públicas urbanas. A primeira é que o espaço urbano foi sendo produzido apenas como o lugar da produção e, em decorrência desse entendimento, as políticas públicas voltadas para a solução dos problemas urbanos não se constituíram como meios capazes de superar a visão de cidade funcional. As políticas públicas eram aplicadas numa cidade e para uma cidade enquanto espaço das relações econômicas.
É preciso destacar que, para além das atividades econômicas, a cidade é também o lugar de morar, de trabalhar, de circular e de cuidar do corpo e do espírito. E as políticas públicas devem ser o instrumento de ação direcionadas à produção de uma nova urbanidade que privilegie a criação de espaços públicos a urbanidade significa a criação de meios para forjar um novo homem que busque o tempo para os encontros que ultrapasse a troca de coisas. Em toda a história das cidades, desde os gregos, esses espaços públicos são as praças, enquanto possibilidade de apropriação visando à construção e ao resgate da cidadania.
A cidadania significa a oportunidade de uma vida decente, com acesso ao trabalho e aos serviços básicos: água, energia, educação, transporte e saúde. Se a ausência desses serviços é condenável, da mesma maneira é também inaceitável a existência de poucas praças na parte central da cidade e especialmente, que num período relativamente curto, tantas tenham desaparecido, fazendo com que os habitantes, da cidade fiquem cada vez mais distantes do direito à cidade como o lugar para a reprodução da vida do fluxo das pessoas no fixo da urbanidade.Atualmente a capital têm aproximadamente 190 praças e áreas de passeio público, como os Parques. Do total mais da metade tem algum tipo de comercio, ficando o espaço público ocupado por teatros que fazem desse espaço um meio de vida. De acordo com o Diretor-Presidente do Instituto Municipal de Planejamento Urbano, João Bosco Saraiva, todos os comerciantes devem, cumprir as normas do Instituto, para quem não cumprir as determinações a multa pode chegar a R$ 5 mil.

quinta-feira, junho 18, 2009

Que Orgulho é este?

Um projeto faraônico de Estádio para Copa do Mundo de 2014 não é conduta de orgulho, mas soberba. A mais cara entre as idéias arquitetônicas das cidades sedes é também a de futebol mais insignificante. Neste ponto, o contraste denota arrogância, pratica-se a prepotência de fazer o impossível apenas para marcar uma passagem pública no poder, como se obras de grande impacto financeiro fosse o único meio de Homens Públicos entrarem para a história.

Como sentir orgulho de um futebol recalcado na gestão, falido como competição e inexistente como esporte nacional? Com representante apenas na série D do Campeonato Brasileiro, criada este ano, o futebol afundou nas cheias da incompetência e se apresenta para a copa do mundo como um futebol faraônico, pior que as disputas de campeonato amador e porque não dizer de “peladão”, esta sim, mais atrativas ao público que lotam os campos de várzeas para sua prática, com à apresentação de times amadores.

José Miguel Wisnik em seu livro Intitulado, Veneno Remédio: O futebol e o Brasil (Companhia das Letras, 2008) classificam os estudos de grande abrangência sobre o futebol, à abordagem as questões políticas, socioeconômicas e comportamentais em torno do esporte bretão, costumam deixar de lado o essencial: o jogo em si, aquilo que faz dele uma atividade capaz de apaixonar bilhões de pessoas dos mais remotos cantos do mundo, e porque não dizer da Amazônia, como foi a festa de comemoração de Manaus como sede em 2014, onde o jingle de “Eu tenho orgulho de ser amazonense” imperou nos alto-falantes do Estádio Vivaldo Lima, fazendo com que a população chegasse ao delírio.

O futebol, tal como foi incorporado e praticamente reinventado no Brasil, tem muito a dizer, com sua linguagem não-verbal, sobre algumas de nossas forças e fraquezas mais profundas, ajudando a ver sobre outra ótica as questões centrais de nossa formação e identidade. Partindo dessa premissa, os governantes aproveitam-se de projetos sociais e esportivos, tais como: Jovem Cidadão, Esporte e Lazer da Cidade e programas como o Segundo Tempo, para utilizar de mão de obra dos bolsistas e acadêmicos de Educação Física, como massa de manobra para seus projetos faraônicos e megalomaníacos.

É com esta visão que, temas recorrentes da nossa realidade futebolística vem a tona, como a “democracia racial” e o “homem cordial” e a degustação antropológica de influxo cultural e estrangeiro, encontrando aqui um viés inesperado e original como um corta-luz, um drible de corpo, porque não chamar de finta, um lançamento com efeito ou uma folha-seca; Jogadas que os craques brasileiros e porque não dizer “políticos-craques” inventaram ou desenvolveram, encontrando novos caminhos para chegar ao que é a vitória da politicagem.

O bordão utilizado para enaltecer a escolha do Estado como Sub-sede da copa de 2014 e fortalecer a campanha “orgulho de ser amazonense”, do governo, brinca com a fonética, maquia a realidade socioeconômica e esportiva do Amazonas e reinventa o significado do vocábulo “orgulho”. Brinca com a fonética porque deixa escapar, na pronúncia do narrador uma simples campanha política.

Maquia a realidade porque desvia a atenção apenas para o que está aparentemente bom e reinventa o sentindo de orgulho porque valoriza a soberba, a arrogância e a vaidade em detrimento do brio e da altivez. Essa é a genialidade da propaganda: desfigurar real e enganar.No esforço de rotular o orgulho, seja lá qual for ele, a publicidade oficial flerta com a vergonha amazonense. Afinal há mais motivos para encobrir a cara do que mostrá-la ao mundo, isso tudo é pouco para um Estado que almeja atrair todas as atenções mundiais, mas corre o risco de decepcionar. A torcida é para que a sociedade amazonense mande para escanteio a omissão e contra-ataque os desmandos públicos. Apenas assim é possível não só salvar como sentir o orgulho de ser amazonense.

terça-feira, junho 16, 2009

A demolição do Estádio Vivaldo Lima

Não entendo o porquê da demolição do Estádio Vivaldo Lima, conhecido como “Vivaldão” sigo o pensamento do brilhante jornalista Juca Kfori da folha de são Paulo. Sobre a construção de Estádios para a copa de 2014, diz o jornalista: “nem em Barcelona, onde a seleção Brasileira jogou, havia estádios novos. Nem em Madri, palco da final. No México, em 1986, a mesma coisa: nenhum Estádio novo. Já na Itália em 1990, teve um, Turim, Os Estados Unidos, no País mais rico do mundo, em 1994, também, sendo que o Brasil jogou no Estádio Universitário de Stanford, em Campos de Futebol Americano adaptados para o futebol. Na frança, em 1998, de novo apenas o State de France, no subúrbio de Paris, mas o Parque dos Príncipes foi usado, jogou-lhe, alias, até no velho campo de Marselhe, construído para a copa de 1938!”

Após criticar a orgia de gastos em locais que serão usados, no máximo para receber, três jogos da copa, evento que dura um mês, indaga: Precisamos mesmo de novos Estádios ou de um mínimo de transparências e vergonha na cara?”

Trazendo a situação para Manaus, vende-se o absurdo de propostas de demolição do Estádio Vivaldo Lima, para a construção no local de um novo Estádio. Não tem sentindo, pois o velho campo, ainda pode servir muito bem. Feitas as necessárias adaptações. Vários clubes de futebol do município não têm se quer campo para treinamento, tais como: Rio Negro, Sulamérica, América, Libermorro, dentre outros, todavia porque não pensam nesta hipótese. Mas, admitindo-se as idéia, porque não se edifica o projeto em outro local, mantendo-se, o atual, que serviria para o treinamento das equipes. Por exemplo, na Zona Norte da Cidade mais precisamente na Cidade Nova, ou então do outro lado do rio, com vista para a cidade e seu belo entorno, fato que talvez justificasse um pouco o empreendimento da ponte, sem a menor razão econômica, para talvez justificar a tal região a metropolitana.

O historiador Hilário Franco Júnior em seu livro intitulado: A Dança dos Deuses: Futebol, Sociedade e Cultura. (Companhia das Letras-2007), onde o autor argumenta sem limites, porém, fazendo uma análise histórica entendendo que “o futebol é metáfora de cada um dos planos essenciais do viver humano nas condições históricas e existenciais das últimas décadas.” Nesse sentido, procura examinar aquele esporte como metáfora sociológica, antropológica, religiosa, psicológica e lingüística. Somos levados a pensar, por exemplo, sobre os diferentes usos políticos do futebol, seja por regimes autoritários ou democráticos, tanto uns quanto outros sempre abraçados ao nacionalismo.

Mas prevalece a megalomania cabocla, em cima de interesses nem sempre confessáveis e confiáveis. A nova arena, depois do Mundial, ficará aí, faraônica e vazia, como somos ricos, mais que os americanos, que não fizeram um estádio para receber o mesmo evento, e como já resolvemos todos os nossos problemas de: Educação, infra-estrutura, saúde, produção, transporte e saneamento, pouco importa.

Em estudo intitulado: Vitrine ou vidraça: desafios do Brasil para a Copa de 2014, publicado no dia 02 de junho, o SINAENCO – Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Construtiva, alertando para a possibilidade de a copa agir como lupa para os defeitos estruturais do País. A avaliação toma Barcelona, na Espanha, como parâmetro positivo. Com recursos de 20 bilhões de dólares, a cidade foi totalmente remodelada a partir de diversas intervenções urbanas e revitalizações de equipamentos que precedem os Jogos Olímpicos de 1992. O parâmetro negativo está no próprio Brasil na preparação da cidade do Rio de Janeiro para os Jogos Pan-Americanos de 2007. Apesar de dispor de recursos bastante inferiores ao de Barcelona, o planejamento priorizou a construção de novos equipamentos mesmo quando havia possibilidade de adequação dos já existentes. Dessa maneira, os investimentos, de 3,6 bilhões de reais não se convertem em um legado de infra-estrutura urbana ou de benefícios para suprir as demandas diárias da população.

A referência mais significativa do insucesso da investida carioca é o estádio João Havelange, mais conhecido como Engenhão e erguido especialmente para o Pan de 2007 no bairro de Engenho de Dentro, na zona norte do Rio. O equipamento custou cerca de 380 milhões de reais, quase o dobro dos 200 milhões de reais previstos inicialmente, e sua construção não trouxe a prometida revitalização do bairro. Pelo contrário, a obra para degradação do entrono decorrente de sua implantação e ainda pela ociosidade a que está sujeita na maior parte do tempo – o estádio é usado somente para grandes jogos e permanece fechado para a comunidade carente de equipamentos para a prática de esportes e lazer. Somos campeões em tudo, haja subdesenvolvimento explícito, como a festa de comemoração que demonstrou, com direito a banda de música, socos no ar e espasmos incontroláveis por parte de organizadores. É demais para o coração hipertenso de um simples mortal.



Jornal do Comércio – 16/06/2009- Coluna Geolística.