quinta-feira, setembro 17, 2009

ARTE & LAZER

O Conceito de arte tem sido uma busca constante e motivo de polêmica desde a Antigüidade, grega, muito anteriormente ao surgimento da estética, entendida corno uma disciplina filosófica para o estudo dos modos específicos de apropriação da realidade, na qual se destacam as questões ligadas à sensibilidade. Vale destacar, aliás, que se no âmbito dessa disciplina se observam reflexões sobre as manifestações artísticas, estas não são exclusivas; a preocupação é corno todo conjunto de relacionamento no qual se destaque a mediação das sensações.
Se a estruturação dessa disciplina data do século XVIII, desde os gregos se discutia o que seria a arte e qual seria sua função, debates de alguma forma conectados com as reflexões acerca dos conceitos de beleza e de sua relação com a compreensão do que seria verdade. Em Platão, por exemplo, podemos identificar certa oposição entre arte e filosofia, fruto de uma disputa pela supremacia na produção de conhecimento. Compreendia-se que a arte somente imitaria a vida, permitindo, portanto, um simulacro de entendimento. Enquanto isso, a Filosofia transcenderia e permitiria o acesso aos objetos em si, em decorrência de sua possibilidade de contemplação.
Estavam lançadas as bases de uma compreensão que, ora mais ora menos, vai perpassar a história da sociedade ocidental: o conhecimento racional é o que deve ser mais valorizado. Com isso, aponta-se um caminho de separação, de distanciamento entre a arte e a vida, algo que traz impactos e deve ser cuidadosamente considerado na intervenção do animador cultural. Há um rosário de equívocos historicamente construídos que precisam ser desfeitos urgentemente na contemporaneidade.
Depois de um longo percurso de tentativas de definição da arte a partir de sua essência, mias recentemente podemos destacar a contribuição de Morris Veitz (1995). O autor defende que a própria lógica da produção artística desautoriza qualquer tentativa de defini-Ia pela essência, já que é um campo que se caracteriza notavelmente por ser aberto e imitável em razão da constante busca de originalidade. Propõe, assim, que abandonemos a busca por uma definição do conceito_ chamando a atenção para possamos compreender unia dupla dimensão: a classificatória e a apreciativa, nem tudo que é rotulado como "arte" e, dessa forma, vivenciando pelas pessoas.
A partir dessa provocação, novos estilos de definição começam a ser gessados. Desloca-se o eixo da busca das propriedades da arte para, seu processo de geração, para organização do campo. Essa preocupação está, por exemplo, contemplada na teoria institucional da arte proposta por George Dickie (1971). Para ele, quem deve definir o que é uma manifestação artística são os indivíduos e as instituições que transitam nesse campo de relações_
Se a proposta de Dickie avança no sentido de chamar a atenção para o contexto social, rearticulando arte e sociedade, é limitada na medida em que é puramente formal. Na verdade, o autor não só não resolve o problema de definição com sua isenção, como também acaba por limitar o campo a seus extratos mais estandardizados. Tal compreensão acabaria por excluir grande parte das possibilidades de inovação e criação; a produção dos Impressionistas e de Van Gogh, só para ficar nesses exemplos, só seria considerada como artística muito depois de sua ocorrência, já que houver resistência claras no momento em que emergiram, se formos pensar na arte contemporânea, tal fato se tornaria ainda mais ]imitante. Além disso, elimina um grande conjunto de obras que não freqüentam museus, centros culturais e/ou são menos visualizadas pelas instituições nem sempre atentas do mundo artístico.
Mais ainda, em um mundo onde o mercado é extremamente voraz, segmentado e discriminatório, tal teoria seria no mínimo perigosa para o próprio desenvolvimento artístico e para pensarmos a questão da produção e da difusão cultural.
Já Arthur Danto (1981) tende a conceituar a arte em razão de sua ocorrência histórica: seria aquilo que, em cada contexto específico, fosse definido como tal. Se Danto critica Dickie por sua falta de compreensão histórica, no fundo acaba incorrendo em problema semelhante, pois quem vai definir o que é arte em cada momento senão os indivíduos e instituições ligadas ao mundo artístico?
Mais recentemente, tende-se a definir a arte como uma prática sociocultural. Assim sendo, solicita uma preparação prévia no sentido de ser vivenciada plenamente e de compreensão de suas peculiaridades, que se não observada, mesmo que não funcione como elemento absolutamente impeditivo de seu acesso, pode, sim, funcionar como dificultados de sua fruição e de sua produção, aqui entendia tanto como confecção como possibilidade de diálogo crítico. Não há uma essência, mas sim uma existência (construída de forma múltipla) que define o papel que ocupa na sociedade. Esta forma de existir, entretanto, não pode ser encarada como único parâmetro de definição, e sim como desafio para que se concebam diversas formas de ampliação de seus sentidos, de seus significados, de suas formas de vivência.
Vale a pena destacar que, a partir dessa perspectiva, tem sido comum a recuperação do pensamento pedagógico de John Dewey: a arte como experiência. Esse autor não tinha por objetivo definir de forma categórica o que é arte, mas construir conceitos que permitissem que com ela trabalhássemos de forma a ampliar os limites de suas compreensões habituais. Não se trata de estabelecer uma verdade acerca da arte, mas repensá-la a partir do entendimento de sua importância, de seu papel na vida dos indivíduos, de sua função social, encarando-a fundamentalmente como uma forma específica de contato com a realidade, que traz impactos para além da própria obra em si. Se também tal proposta apresenta limites e possibilidades de crítica, parece que permite encaminhar profícuas perspectivas de intervenção pela e a partir da arte.
A arte poderia ser entendida como o que as pessoas sentem como arte. A questão passa a ser que condições concretas os indivíduos têm de sentir ou não a partir de determinadas obras. Obviamente há uma relação clara entre condições objetivas (o econômico, as possibilidades de acesso, a oportunidade de experiências, os estímulos no decorrer da vida, por exemplo) e as vivências subjetivas. Os indivíduos deveriam ser educados e oportunizados a ampliar as suas possibilidades de extrair sensações de manifestações as mais diversas possíveis. Ressignifica-se, com isso, o papel da arte na vida dos indivíduos e o espaço que ocupa nas agências de formação (escola, família.tempo livre).
Ao mesmo tempo, os indivíduos devem der estimulados a se compreender como produtores, não aceitando os limites, muitas vezes rígidos, impostos pelas instituições artísticas formais, o que pode desautorizar suas acerca das obras e desconsiderar sua formas específicas de manifestação a partir de um critério duvidoso de qualidade.
Assim, o posicionamento de alguém que não seja crítico profissional deve ser também considerando e não descartado a priori como "opinião de um não entendido", ainda mais se estiver pautado em construções de conhecimento constantes acerca do acessado. As manifestações artísticas também não podem ter seu valor julgado de forma apriorística, de maneira preconceituosa: o samba pode ser tão arte quanto a música clássica, a pintura naif não é menos valorosa do que as obras expostas em famosos museus- a dança das ruas pode ter um statuas artístico tão respeitável quanto o do balé clássico. A valor da manifestação não deve ser estabelecido por algo que venha de fora, mas construído a partir dos efeitos que ocasiona nos diferentes indivíduos, considerando que estes devem ter acesso a processos de formação.
A experiência estética é o grande valor das obras de arte, aquilo que devem ocasionar. Sem essa experiência, esvazia-se a potencialidade de sua intervenção. Um quadro bastante valorizando por uma instituição famosa não deixa de ser arte quando não é reconhecido por um indivíduo, mas para ele deixa de ser encarado como tal. O potencial da arte está na sua experimentação e no que desencadeia a partir dessa vivência. Quando permite e ao indivíduo exercer sua possibilidade de crítica e de escolha; quando amplia, ao incomodar, as formas de ver a realidade; quando educa para a necessidade de olhar cuidadosamente (tão importante em um mundo de signos e símbolos); também quando desencadeia vivência prazerosas (embora estas não devam ser consideradas como único padrão de julgamento: por vezes não é essa a intencionalidade do artista), a arte cumpre sua função social. Quando cumpre esses papéis, a arte extravasa sua existência para além da manifestação em si. Quando não, as obras podem não passar de algo amorfo para alguns, privilégio de uma minoria.
Perceba-se que não estamos a falar da arte como meio de educação. Ela é uma parte importante de nossa vida (somente não assim, reconhecida em razão dos quadros de tensões sociais) e possui uma ligação inextricável com a realidade. Portanto, a experiência artística (compreendida, ressalte-se, como produção de um objeto específico, mas também como diálogo crítico com as obras) passa a ser uma vivência fundamental para que os seres humanos melhor compreendam o que está a seu redor. A arte não tem uma função, é uma função. Não se trata somente de pensar em uma educação pela arte, mas, fundamentalmente, em uma educação para a arte.
Para tal, então, como profissionais de lazer, devemos investir em processos de educação artística que, na verdade, se estruturariam como de educação estética. Alguns parâmetros claros devem ser observados: a necessidade de superação do distanciamento entre a arte e a vida: tem uma existência concreta, expressa uma apreensão acerca da realidade, não é menos importante do que outras formas de conhecimento; em uma última instância, podemos falar da possibilidade de viver a vida como uma arte; h) a necessidade de compreender com profundidade e amplidão o papel e a função da arte: deve desencadear sensações naqueles que a procuram (ser experienciada corporalmente), não pode ser ascética, não é para poucos privilegiados, é uma forma de expressão acessível a todos.
Ao contemplar os interesses artísticos em seu programa, o profissional de lazer deve ter em vista que deve contribuir para educar a sensibilidade de seu público-alvo, apresentando, em um processo paulatino de mediação e diálogo, novas linguagens e possibilitando a vivência de novas experiências, a partir das quais pode construir conhecimento acerca das peculiaridades de cada manifestação em sua diversidade de correntes e propostas. Obviamente nesse processo não cabe preconceito a priori com qualquer manifestação. O intuito não é de se posicionar contra qualquer forma de organização artística, mas de ampliar os limites de experiência estética dos indivíduos, dando condições para que se possa escolher com mais clareza e critério, de acordo com os desejos e escolhas.Não se trata de somente incorporar esses interesses na perspectiva da contemplação. Podemos (e devemos) também contribuir para despertar nos indivíduos seu senso de produção artística. Não se trata de trabalhar no sentido de formar renomados artistas plásticos, músicos ou escritores, mas sim estimular em cada um as sensações ocasionadas pelo ato de pintar, cantar, tocar, representar, escrever. Ainda mais, estimular a percepção de que essa produção pode se dar em diálogo com o que já existe configurando, não necessariamente precisa se comparar ou se limitar ao já é valorizado pelo circuito de produção artística.

quarta-feira, setembro 16, 2009

OS BENEFÍCIOS DA ATIVIDADE FÍSICA SUPERVISIONADA NA TERCEIRA IDADE

Segundo dados do instituto brasileiro de geografia e estatística (IBGE/2009), existem hoje no País aproximadamente 18 milhões de pessoas com mais de 60 anos. Ate 2025 serão 30 milhões de idosos, que representarão cerca de 13% da população brasileira.
Após os 60 anos, ocorre no individuo sedentário uma importante redução da força muscular afetando principalmente os membros inferiores e o tronco, com diminuição da velocidade de andar e maior incidência de quedas e fraturas. Segundo a organização mundial de saúde (OMS), de 5% a 10% dessa população sofre algum tipo de acidente doméstico grave e a falta de aptidão física também compromete a realização de tarefas simples do cotidiano.
Exercícios físicos bem dosados e supervisionados podem retardar essa perda de força, protegendo o idoso de acidentes e devem ser acompanhados por uma equipe médica multidisciplinar, pois é necessário estabelecer os limites de segurança do ponto de vista cardiocirculatório, pulmonar, metabólico e musculoesquelético. É também muito importante a comunicação contínua entre a equipe médica, o paciente e os profissionais das áreas de fisioterapia, psicologia, Assistente social, Terapeuta, Nutricionistas, enfermeiros e profissionais de Educação Física que supervisionarão diretamente os exercícios.
Paralelamente aos medicamentos, os exercícios físicos exigem dose certa para obter a melhora da saúde, e o seu excesso ou execução não supervisionada põe em risco especialmente a população idosa. Para alcance dos benefícios completos, reduzindo o risco de lesões devem ser elaborada uma prescrição médica e estabelecida uma orientação e supervisão individualizada de modalidades, intensidade e freqüências adequadas de exercícios.
Os exercícios de flexibilidade com alongamentos e o treinamento de força com exercícios resistidos são fundamentais para melhorar a sustentação muscular e o amortecimento de impactos e, dessa forma, reduzir acidentes e lesões degenerativas do aparelho locomotor, como as decorrentes da osteoartrose e/ou osteoporose.
A melhora da força e da massa muscular é também importante na prevenção e tratamento de distúrbios como a osteoporose, a obesidade, a hipertensão e o diabetes, com evidentes pesquisas sobre sua importância no tratamento e na melhora da qualidade de vida nas insuficiências cardíacas e pulmonares de evolução crônica.
A Universidade do Estado do Amazonas - UEA, através da Universidade Aberta da terceira idade – UNATI, conta com equipes multidisciplinar na formação e capacitação de profissionais em Manaus e no Interior da Amazônia com intuito de orientar os pacientes quanto aos limites seguros de execução de exercícios com a parceria da Licenciatura e Bacharelado em Educação Física – LIBEF/UEA, através do Sistema Presencial Mediado por Tecnologia.A UNAT e o LIBEF através de seus profissionais e alunos atendem principalmente paciente da terceira idade, mais também indivíduos jovens em diversas condições clínicas, buscando a equação ideal de beneficio para a saúde com o menor risco possível. A atividade física supervisionada acrescentará mais anos à vida dos idosos e, de um aspecto ainda, mais importante, acrescentará mais vida há estes anos com qualidade e segurança.

A COPA DO MUNDO E O MONOTRILHO

A melhor alternativa para a cidade, na avaliação do arquiteto do instituto, que leva o nome de um dos maiores especialistas do País no assunto, Carlos Ceneviva, é o Bus Rapid Transit (BRT), implantado com sucesso em Curitiba (PR) ainda na década de 1970.
Em Manaus, o Expresso se espelhou no BRT, mas faliu em 2004 porque não seguiu o que prevê o sistema. Ele foi idealizado e implantado pelo arquiteto Jaimer Lerner em 1974, durante sua gestão como prefeito em Curitiba. O projeto da Capital do Estado do Paraná é tido como modelo e foi copiado por várias cidades brasileiras e de outros Países.
Mesmo com a vantagem de ser um veículo rápido, uma única linha de monotrilho, como defende o governo estadual não atenderá a demanda local, sendo muito para sustentar o contingente de pessoas que uma competição desse porte traz, muito menos a demanda do Estado, podendo apresentar os mesmos problemas de Manaus, o principal deles é a superlotação.
O modelo que poderá melhorar o transporte coletivo de Manaus é o Metrô, nos modelos das grandes cidades como Rio de Janeiro e São Paulo e em Segundo Plano o Bus Rapid Transit, que consiste em um sistema que trafegam em corredores exclusivos. Diferente do que foi feito em Manaus com o Expresso, se o projeto original do BRT for seguido, os efeitos são mais duradouros.
O modelo original de BRT prevê o alargamento das ruas e a construção de faixas exclusivas alem da já existentes, diferentes do que foi feito no Expresso na administração do ex-prefeito Alfredo Nascimento, atual Ministro dos Transporte. O sistema que custou inicialmente R$ 112 milhões aos cofres da prefeitura de Manaus em 2002, foi desativado dois anos após essa data por ineficiência.
Além de Curitiba, o BRT foi implantado com sucesso em outros países, como na cidade Bogotá Capital da Colômbia. Nesses lugares que tem populações superiores a de Manaus, foi utilizado o projeto original e os resultados obtidos foram positivos.
O monotrilho em Manaus, pode se tornar ocioso após a realização da copa de 2014, o alto custo do sistema pode elevar o preço da passagem ao ponto de tornar o serviço pouco utilizado pela população. A melhor opção para Manaus é o BRT porque a cidade é muito extensa e com grandes vazios urbanos, que é resultado da ocupação desordenada.
Ao custo de R$ 995 milhões do projeto apresentado pelo Estado prevê a construção de uma linha com 13,8 km de extensão ligando a zona norte ao centro de Manaus, a partir do terminal 3 (T3) de integração do bairro Cidade Nova.
De acordo com o projeto do Estado, a população de Manaus pagará uma tarifa de R$ 2,50. Quem comprar a passagem com integração terá que desembolsar R$ 3,50. A modalidade dará o direito, segundo o governo, ao uso do transporte coletivo convencional no desembarque do monotrilho no terminal de integração.
O governo defende que o monotrilho reduzirá, em média 26 minutos a viagem da zona norte ao centro de Manaus. Na sua defesa o Estado sustenta ainda que o monotrilho foi escolhido porque além da mobilidade, irá reduzir o nível de poluição do ar, uma vez que será movido a energia elétrica.

domingo, agosto 16, 2009

ESPORTE ARTIFICIAL

No esporte de alto rendimento, a tecnologia roubou do atleta a condição de agente de competição. O esforço humano não é mais natural, mas artificial. Maiôs que ajudam a deslizar na água com menor atrito, tênis com amortecedores que impulsionam o pé, colantes que diminuem a resistência do vento e substâncias químicas que produzem melhores resultados, mais energia, mais explosão muscular ajudando o corpo humano a ficar menos humano. O resultado dessa combinação de ciências e esforço físico nas piscinas e pistas de provas de atletismo é um ser mais necessário e menos biológico.
A essência do esporte é justamente superar, até onde seja possível, o tempo e o espaço, e as barreiras que a física impõe, apenas com a capacidade física impõe, apenas com a capacidade física e psicológica. Qualquer mudança na biomecânica do corpo, a partir de agentes externos, tira do atleta sua intrínseca capacidade de adaptação ao meio ambiente. Por mais que alcance os recordes e medalhas de ouro, não há méritos próprios, mas fabricados artificialmente. Se o atleta forma sua personalidade competitiva a partir dos recursos naturais de que dispõe, o caráter é justamente a primeira vítima do doping. O atleta perde sua própria identidade. Seus feitos passam a ser lembrados como resultados de trapaça e a imagem que fica é a da vergonha e não da glória.
É o oposto do princípio olímpico e da gravitas – dignidade em Latim. “o importante é competir” deu lugar ao “ganhar” a qualquer preço Gravitas também tem o significado de total e severa determinação. Era a virtude que inspirava e moldava o caráter dos soldados gregos e romanos, os primeiros atletas conhecidos. Os gregos principalmente os atenienses, celebravam a forca física dos músculos e dos ossos.
Para moldar a anatomia, treinavam a exaustão em condições iguais. A superação de um sobre outro dependia da determinação de levar o corpo ao limite e acreditar ser melhor que o oponente. O vencedor não era o que utilizava a espada, mas o que treinou mais, por mais tempo e com mais afinco para manejá-la. É o melhor treinamento que faz o atleta e não o melhor recurso tecnológico. Este lhe acrescente vantagem na disputa, mas o impede de ser competitivo por suas próprias forças.
Os competidores da era moderna estão entrando para a própria história pela falta de escrúpulos e pudor. Turbinam o corpo com reações químicas artificiais como o meio mais curto para alcançar a vitória como se vencer fosse apenas chegar à frente dos demais. A verdadeira glória está em superar a si mesmo, indo além das limitações biológicas e da força da gravidade. Chegar em primeiro é só um detalhe inconscientemente ignorado.
A dúvida que se propõe à reflexão é: porque, diante de uma vasta e avançada tecnologia média para detecção de doping, os atletas ainda se dopam? E por que recorrem à tecnologia menosprezando as próprias limitações humanas?Umas das explicações é a inversão do princípio de Pheidippides, o soldado grego que morreu após correr 45 quilômetros para anunciar a vitória dos gregos sobre os persas na batalha de maratona. Observando que não basta mais competir por um ideal, mas pela fama pura e simples. A outra é a escravidão tecnológica. Não dá mais para viver sem as maravilhas futuristas. Tudo se tornou artificial, até o esporte.

CIDADE E ESPAÇO URBANO: UMA NOVA VISÃO DO URBANISMO SUSTENTÁVEL

A ocupação do solo deve ser repensada e aproveita a oportunidade, já que estamos fazendo a revisão do Plano Diretor para sugerir algumas mudanças. Devemos sim trabalhar o urbanismo sustentável, todos nós defendíamos um contra ponto ao crescimento das cidades como são hoje, que dão preferência ao automóvel, onde há uma separação das funções e fazem com que os cidadãos precisem usar o automóvel para conseguir saúde, lazer, moradia e trabalho, além de outros afazeres.
Existem ao todo nove conceitos que guiam o urbanismo sustentável: uso misto, densidade controlada, prioridade de pedestre, equilíbrio, conectividade, paisagismo, prédios verdes, espaços públicos atraentes, cidades apropriadas para os cidadãos.
Estes conceitos resgatam uma forma antiga das cidades, que é ter apartamento, escritórios, lazer e trabalho tudo na mesma rua, a uma distância caminhável. O carro é uma forma de transporte burro, causa o aquecimento do planeta, ocupa o espaço e as calçadas públicas, que deveria ser das pessoas, torna a cidade barulhenta, suja, desumana. Por isso a idéia é resgatar a mistura de funções da cidade. Isso já está tão forte que em alguns lugares da Europa existem prédios com até três funções.
Além do uso misto, se deve priorizar, o pedestre. Fazemos isso através da largura das calçadas, ciclovias, dimensão das ruas e paisagismo.
A cidade deve ser confortável para quem caminha.
Outra questão é o censo de comunidade. As cidades hoje sofrem com espalhamento, por isso elas foram perdendo identidade. Ninguém mais tem a sensação de pertencimento, não sabem mais de onde são. Por isso, criar esse senso é importante, já que torna as pessoas mais felizes, mais seguras.
Também devemos nos preocupar com a densidade. A cidade tem que fugir da moradia familiar elas são essencialmente danosas ao meio ambiente porque carecem de muitos serviços de infra-estrutura para poucas pessoas e isso é caro para o morador, como também, ao meio ambiente. Se todo mundo morasse em casa, nós já teríamos nos mudado paro o terceiro planeta porque não haveria mais espaço. O ideal seriam entre 400 a 800 habitantes por hectare, isso otimiza os serviços urbanos, reduz o consumo de CO2, a poluição atmosférica da luz, etc.
As cidades também precisam de conectividade, ou seja, elas precisam estar ligadas fisicamente e integradas às áreas de entorno. Ainda tem a questão da diversidade econômica dos cidadãos. Isso significa que não podem ter só ricos nem só pobres no mesmo bairro, todos podem conviver mais ou menos em harmonia no mesmo lugar. Porque uma pessoa teria que morar a três, quatro horas de distância do trabalho só porque é mais pobre ou mais rica? Tem que ter mistura social.Também é preciso ter equilíbrio no ambiente entre áreas construídas e áreas naturais, isso infelizmente não é visível em Manaus, onde o que não observamos são áreas verdes em cidades da Amazônia. As cidades perderam contato com a natureza. Você olha 360 graus e não vê nenhuma árvore, por isso tem que haver ligação com ambientes naturais, principalmente em cidades dos trópicos úmidos como é o caso de Manaus na Amazônia. Ligações, com rios, matas. lagos, igarapés e parques para onde quer que você olhe, deve haver natureza. Isso faz bem às pessoas, além de trazer outros benefícios, como evitar as ilhas de calor.

domingo, julho 19, 2009

DINHEIRO PÚBLICO PARA O FUTEBOL AMAZONENSE QUE É UMA INICIATIVA PRIVADA

O Amazonas já foi considerado uma potência no futebol regional, diz o censo comum. Porém, uma análise mais aprofundada sobre o futebol amazonense atual revela uma realidade assustadora: não há nenhum clube local na primeira divisão do futebol brasileiro, a chamada séria A. Acrescente-se a isso, o fato de que, na atualidade, tanto o Nacional Futebol Clube, quanto os demais clubes são reféns dos recursos públicos repassados pelo Governo do Estado, como também, pela Prefeitura Municipal de Manaus para se manterem em atividades.
Iniciativa esta que dificulta todo mês a prestação de contas dos clubes com o Tribunal de Contas do Estado, haja vista, que as notas ficais não têm validade e tampouco CNPJ das empresas prestadoras de serviços aos clubes, fora o desvio de presidentes incompetentes e inescrupulosos para a gestão de um clube.
Portanto, os clubes amazonenses tornaram esses recursos como salários e despesas das competições, porém não aplicam na formação de jogadores nas categorias de base, que na maioria das vezes são direcionadas por homossexuais sem a devida formação e caráter para lidar com esta categoria tão importante para suprir o time profissional.
Na relação custo-benefício o dinheiro dado pelo Governo do Estado e Prefeitura de Manaus aos clubes amazonense de futebol não atendem, nem uma coisa nem outra. Os recursos são usados para pagar salários, hospedagens, alimentos , viagens e a prestação de contas dessas despesas é tão obscura quanto o futebol apresentado pelos clubes. Como esse vício se repete anualmente, sem que os clubes reservem uma parte para investir na formação de jogadores, os prejuízos se acumularam e o contribuinte vê seu imposto murchar feito bola furada nos gramados.
De acordo como os últimos dados divulgação pelos variados meios de comunicação do Estado, o Governo do Estado destinou a cada clube profissional em 2004, a importância de 60 mil reais, por certas participações no campeonato local, tivemos também contemplados: Nacional, Rio Negro, Clipper, Libermorro, Fast, Princesa do Solimões, Sul América e Grêmio Coariense.
Neste mesmo ano a federação Amazonense de Futebol – FAF, para custear despesas administrativas recebeu 110 mil reais.
O são Raimundo ganhou mais 700 mil reais pela participação na séria B do Campeonato Brasileiro. Enquanto o Nacional e o Rio Negro foram contemplados, cada um com 40mil por participarem da Copa do Brasil e mais 350 mil reais pela presença do campeonato brasileiro da série C.
Nos últimos quatro anos, 2005, 2006, 2007 e 2008 foram dados R$ 6,2 milhões de mão beijada, sem que essa verba se transformasse em títulos. Na última semana o presidente do Nacional divulgou que o governo vai aplicar um milhão para o clube voltar a série C no próximo ano e como é de praxe, dinheiro público. Segundo a Secretaria Estadual da Juventude ,Esporte e Lazer – SEJEL, os recursos do Governo do Estado, relacionados aos anos anteriores foram:

Quadro 1: Recursos do Governo do Estado – Secretaria Estadual da Juventude, Esporte e Lazer (SEJEL)
Fonte: Jornal Diário do Amazonas – Manaus, 24 de agosto de 2008, p. 9.


Quadro 2: Recursos da Prefeitura de Manaus – Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (SEMESP)
Fonte: Jornal Diário do Amazonas – Manaus, 24 de agosto de 2008, p. 9.

Parece contraditório, que de 1996 a 2007, o são Raimundo conquistou cinco títulos estaduais, três copas Norte e o vice-campeonato da Série C. No período entre 2005 e 2007, o clube recebeu 2,4 milhões.
A tese de que o Estado e o Município não investem em nossos clubes cai por terra. O que há, na verdade, é o mau gerenciamento dos recursos públicos, injetados indevidamente no futebol profissional.
O Futebol do Amazonas, segundo Carlos ZAMITH (2008) há pouco tempo anda capenga. Não há perspectivas de volta tão cedo aos bons tempos do final da década de 60, ao menos até o inicio dos anos 80.

sábado, julho 18, 2009

PRAÇAS E PARQUES PÚBLICOS: O FLUXO DO FIXO.

Ao longo da história, as praças sempre serviram de ponto de encontro para os moradores das cidades, verdadeiros espaços públicos de convivência. Sua origem está vinculada às ágoras da Grécia – centros comerciais, administrativos e políticos das antigas polis gregas, onde eram discutidos assuntos importantes para a vida dos cidadãos. Das ágoras, derivaram o fórum imperial romano e as grandes piazze e praças das principais cidades européias.
No Brasil, as praças começaram a surgir no entorno das igrejas. As residências mais suntuosas, os prédios públicos mais relevantes, os principais estabelecimentos comerciais, tudo era construído próximo a esses logradouros públicos que serviam, também, de elo entre a comunidade as paróquias.
No caso de Manaus, a primeira praça publica localizava-se nas proximidades da antiga igreja Matriz de Nossa senhora da Conceição e do Fortin de São Jose da Barra do Rio Negro, marco inicial da ocupação da cidade.
As transformações urbanísticas de uma cidade espelham claramente as mudanças efetuadas na sociedade ali instalada e a história das praças de Manaus é um exemplo claro, dessa afirmação. Apesar de os admiradores manifestarem algumas preocupações com as praças, arborização e calcamento de ruas e calcadas desde a época imperial, pouco foi realizado neste sentindo até a última década do século XX, pois não se dispunha de verbas suficientes nem para serviços mais elementares.
Conforme Prof. Dr. Vanderlan Santos Mota em seu livro intitulado: Espaços Públicos de Lazer em Manaus: O Papel da Políticas Públicas (Valer, 2008). As praças constituem-se como especificidades sobre a forma da cidade e várias foram desfiguradas ou desapareceram. Entre as que foram desfiguradas pode-se destacar a Praça Adalberto Vale nos anos cinqüenta com a construção do Hotel Amazonas; a Praça Tamandaré, em frente à Capitania dos Portos; a praça dos Remédios, com a construção de uma casa de comércio na área fronteiriça à praça General Osório, ocupada como área exclusiva pelo Colégio Militar.
Entre as que desapareceram: a praça Visconde do Rio Branco para a construção da Escola Técnica Federal do Amazonas; as praças publicas General Carneiro e Floriano Peixoto no bairro da cachoeirinha. A primeira foi inicialmente transformada em dois campos de futebol sendo gradativamente ocupada pelo Conjunto Kubitschek e, posteriormente, pelo Palácio Rodoviário. A segunda foi doada ao Exercito para a construção do Hospital Geral e área residencial para militares.
Também foram extinta em Manaus as praças: Riachuelo, Paysandu, Rio Branco, Benjamim Constant, N. Senhora De Fátima (Praça 14 de Janeiro), Monte Cristo, Ribeiro da Cunha (José Lindoso), Sargento Manoel Chagas e praça João Pessoa (Bola do Olímpico).
O desaparecimento de praças na parte central da cidade, como vista para uma cidade urbanizada, nos possibilita compreender quais as prioridades que norteavam as políticas públicas urbanas. A primeira é que o espaço urbano foi sendo produzido apenas como o lugar da produção e, em decorrência desse entendimento, as políticas públicas voltadas para a solução dos problemas urbanos não se constituíram como meios capazes de superar a visão de cidade funcional. As políticas públicas eram aplicadas numa cidade e para uma cidade enquanto espaço das relações econômicas.
É preciso destacar que, para além das atividades econômicas, a cidade é também o lugar de morar, de trabalhar, de circular e de cuidar do corpo e do espírito. E as políticas públicas devem ser o instrumento de ação direcionadas à produção de uma nova urbanidade que privilegie a criação de espaços públicos a urbanidade significa a criação de meios para forjar um novo homem que busque o tempo para os encontros que ultrapasse a troca de coisas. Em toda a história das cidades, desde os gregos, esses espaços públicos são as praças, enquanto possibilidade de apropriação visando à construção e ao resgate da cidadania.
A cidadania significa a oportunidade de uma vida decente, com acesso ao trabalho e aos serviços básicos: água, energia, educação, transporte e saúde. Se a ausência desses serviços é condenável, da mesma maneira é também inaceitável a existência de poucas praças na parte central da cidade e especialmente, que num período relativamente curto, tantas tenham desaparecido, fazendo com que os habitantes, da cidade fiquem cada vez mais distantes do direito à cidade como o lugar para a reprodução da vida do fluxo das pessoas no fixo da urbanidade.Atualmente a capital têm aproximadamente 190 praças e áreas de passeio público, como os Parques. Do total mais da metade tem algum tipo de comercio, ficando o espaço público ocupado por teatros que fazem desse espaço um meio de vida. De acordo com o Diretor-Presidente do Instituto Municipal de Planejamento Urbano, João Bosco Saraiva, todos os comerciantes devem, cumprir as normas do Instituto, para quem não cumprir as determinações a multa pode chegar a R$ 5 mil.