terça-feira, maio 04, 2010

Lazer em Cidades Amazônicas - São Gabriel da Cachoeira





História A história do município remete ao século 17, quando a coroa portuguesa percebeu a necessidade de povoar a região do Alto do Rio Negro para manter os domínios a salvo dos interesses dos espanhóis.
Em 1762, ainda com o objetivo de assegurar os domínios lusitanos, foi erguido o Forte de São Gabriel, motivando o povoamento em seu entorno. Atualmente, a cidade, que faz fronteira com a Colômbia e a Venezuela, é um ponto estratégico para o país.

Cerca de 99% da população de São Gabriel da Cachoeira é indígena, representando 9% do total brasileiro, e seus habitantes vivem em terras desmarcadas.

Turismo O município de São Gabriel da Cachoeira está a uma distância de 858 quilômetros da capital Manaus. É considerado um dos maiores potenciais turísticos do Estado do Amazonas. Além de diversas praias e cachoeiras, a cidade possui serras e ilhas fluviais, que fazem do município um local ideal para ecoturismo. Na lista das praias, merece destaque a do Mussum Cuara.

Segundo conta a lenda, o lugar abriga uma cobra adormecida e quem ali morre afogado acaba servindo de alimento para o animal. Crendices à parte Mussum Cuara é um ponto de encontro de moradores e turistas, especialmente aos domingos, e proporciona aos visitantes lazer em meio à natureza. Já na Praia do Jaú, crianças e adolescentes se reúnem no final da tarde para desceram as corredeiras com bóias improvisadas de pneus.
O lugar é também uma boa pedida para aqueles que querem se sentar e apreciar as serras de Curicuriari.

Outra opção para o turista é conhecer as principais ilhas da região, entre elas, Adana, dos Reis, Buia-Cuara, do Cuaty e Maywa Kaapuon (ilha do majuba). Destaque para a Ilha Adana, localizada próxima à margem da cidade. Durante o período da seca do rio pode-se fazer passeios de voadeira até ela. Próximo à Adana, são encontradas duas fortes correntezas. Conta a lenda que as duas corredeiras, Buburi e Curucui, representavam dois bravos índios guerreiros que disputavam o amor da linda índia Adana.

Como ela havia fugido com Curucui de canoa, Buburi foi atrás do casal e os alcançando no meio do rio se alagaram e morreram afogados, e seus corpos se transformaram nas respectivas corredeiras. A índia Adana, que se afogou no meio de seus pretendentes, teria se transformado numa ilha, que recebeu seu nome.

Artesanato Cada grupo étnico é especializado na produção de objetos de arte e utilitários determinados. os bancos de madeira, por exemplo, são representativos da arte do tucano, enquanto os baianos e raladores de mandioca ficam por conta dos dessana e dos baniwa.

No rio Tiquié, os tuyuca e os baré destacam-se como os melhores construtores de canoas e artigos de primeira necessidade. Já os aku são artesãos das flautas de plã, dos aturas de cipó e dos artefatos de arumã.
Mas apesar das diferenças entre os grupos étnicos, o artesanato local é marcado em geral por pilões, peneiras de cipó, cestos de palha, colares e pulseiras de contas e penas coloridas de aves, entre outros objetos.

Festribal Durante três dias no mês de setembro, acontece tradicionalmente o Festival Cultural das Tribos do Alto Rio Negro (Festribal). A programação da festa inclui danças, rituais, atividades esportivas e comidas típicas da culinária indígena e tem como objetivo a revitalização das tradições culturais dos povos do Alto Rio Negro. Geralmente o evento acontece entre os dias 5 e 9 de setembro.

Linha do Equador Na BR-307, a caminho do distrito de Cucuí, uma placa indica por onde passa a linha imaginária do Equador, que divide a terra nos hemisférios Norte e Sul. O acesso a partir de São Gabriel da Cachoeira pode ser feita de carro, moto, bicicleta ou até através de uma longa caminhada.

Serviço Informações: (97) 3471.2358 - Sematur Acesso: É feito por via aérea ou fluvial. Existe uma úbica empresa que oferece vôos a partir de Manaus, com tempo estimado em 2h30. Os barcos de passageiros mantêm linhas regulares, com saída do Porto de Manaus e do porto de Camanaus, em São Gabriel da Cachoeira, às sextas-feiras. A duração da viagem no trecho entre a capital amazonense e o município pode ser de até sete dias, dependendo da época do ano (período de cheia e vazante). Devido às dificuldades de navegação em certos trechos do rio Negro, é preciso ter cuidado no trecho entre Barcelos e São Gabriel da Cachoeira. Na época da vazão do rio Negro os barcos não conseguem chegar até a cidade eo transporte é feito em botes e voadeiras. Distância: 858 quilômetros em linha reta áté Manaus e 1.064 quilômetros via fluvial. Clima: Equatorial, quente e úmido. Temperatura média: 27,5oC

OS ESPAÇOS PÚBLICOS DE LAZER PARA A PRÁTICA ESPORTIVA

Os estudos que versam sobre as questões urbanísticas com freqüência tangenciam a temática do lazer, e na sociedade moderna este é enfatizado, principalmente, no aspecto do entretenimento, proveniente da chamada industrial cultural.

Ao afirmar que o lazer é resultado da revolução industrial, e, por conseguinte fruto da modernidade, não podemos deixar de mencionar outras três categorias que o acompanham, ou são, para alguns autores, inerentes ao tema, são elas: o tempo, entendido como “tempo livre” ou do não trabalho, resultante da luta dos trabalhadores por melhores condições de vida (WERNECK, 2000 E RODRIGUES & BRAMANTE, 2003). Tempo este que se estabelece na fusão entre a instituição social de um tempo livre e o planejamento pessoal em relação a este mesmo tempo, frente às possibilidades / opções ofertadas pelas experiências sociais e/ou atividades de consumo e fruição da cultura e de suas produções (MARCASSA, 2003) e o espaço e os equipamentos necessários para que o lazer aconteça; considerando que toda e qualquer experiência de lazer se desenvolve no interior de espaços e equipamentos admitidos e aprovados ao seu desenvolvimento, de modo que as atividades de lazer dependem e são sensivelmente demarcadas pelos ambientes onde acontecem. Pode-se dizer, inclusive, que a própria emergência do lazer no Brasil esteja relacionada à elaboração de programas e à construção de equipamentos específicos para a sua prática. (MARCELINO, 1983, 2000, 2006, DUMAZEDIER, 1999, MARCASSA, 2003).

E é neste sentido que Marcelino (2006) nos coloca a necessidade de que ao tempo disponível corresponda um espaço disponível. E se a questão for colocada em termos de vida diária da maioria da população, não há como fugir do fato: o espaço para o lazer é o espaço urbano. As cidades são os grandes espaços e equipamentos de lazer.

Neste sentido nossa proposta é divulgar o lazer no ambiente urbano, mais precisamente na cidade de São Gabriel da Cachoeira - Amazonas, enfocando as categorias espaço e equipamentos.

O lazer se traduz por uma dimensão privilegiada da expressão humana dentro de um tempo conquistado, materializado através de uma experiência pessoal criativa, de prazer e que não se repete no tempo/espaço, cujo eixo principal é a ludicidade. (...) Sua vivência está relacionada à oportunidade de acesso aos bens culturais, os quais são determinados, via de regra, por fatores sócio-político-econômico e influenciados por fatores ambientais.

Neste sentido, lazer ganha uma conotação eminentemente humana, ou do resgate do humano no homem (MARCELINO,1983) para além do binômio trabalho/lazer, é aqui entendido como uma experiência vivida no espaço urbano, marcado por diferentes possibilidades de acesso, relacionadas, principalmente, com os fatores sócio-econômico-político; sendo também resultante da produção cultural na medida em que toda experiência de lazer se constitui no e pelo universo da produção material e simbólica da sociedade.

O lazer, historicamente, está relacionado a uma gama de experiências (e espaços) que o homem “pode” usufruir, tais como: teatros, cinemas, músicas, bibliotecas, parques, estádios, praças, práticas esportivas e mais recentemente, com o advento da globalização, também são tidos como espaços de lazer a televisão, a internet, os shoppings, as viagens turísticas, etc. Sabemos que este “acesso” aos bens culturais não se dá de forma homogênea, pois reconhecemos os problemas enfrentados numa sociedade dividida em classes sociais, onde uma minoria é sustentada por uma grande massa de trabalhadores, que muitas vezes “fazem a cidade”, mas, não moram nela; no sentido de usufruir de suas produções culturais, ficando estas restritas à uma minoria que pode “pagar”. Fenômeno característico da globalização que vivemos em todos os âmbitos.

Se para alguns ela (a globalização) continua a ser considerada como grande triunfo da racionalidade, da inovação e da liberdade capaz de produzir progresso infinito e abundância ilimitada, para outros ela é anátema já que no seu bojo transporta a miséria, a marginalização e a exclusão da grande maioria da população mundial, enquanto retórica do progresso e da abundância se torna em realidade apenas para um clube cada vez mais pequeno de privilegiados (SANTOS, 2002, p. 53).

O processo de globalização, também tem proporcionado um ambiente individualista, em muitos aspectos, inclusive no campo do lazer; pois as pessoas são levadas a uma prática do lazer doméstico, em frente a uma televisão, vídeo game, páginas da internet e coisas deste tipo; extrapolando, no máximo, para os espaços do condomínio, ou do clube privado. Para além da limitação do espaço, este tipo de lazer desconsidera as diferenças culturais, e muitas vezes acaba promovendo uma aculturação, no sentido de enfatizar uma determinada cultura em detrimento das outras, inclusive da cultura local reforçando a alienação e contribuindo para perpetuar as relações de poder e dominação, presentes neste modelo de sociedade.

Mascarenhas (2000), afirma que o lazer é “um fenômeno tipicamente moderno, resultante das tensões entre capital e trabalho, que se materializa como um tempo e espaço de vivências lúdicas, lugar de organização da cultura, perpassado por relações de hegemonia[1]”.

O lazer acontece por uma permissão do tempo e uma vontade interna do praticante e é, inevitavelmente, vivenciado em algum lugar. À primeira vista, o espaço parece aspecto menor que envolve o tema lazer. Porém, o ambiente físico influencia muito além de sua materialidade, sustentado em valores éticos e estéticos de qualquer lugar (RODRIGUES & BRAMANTE, 2003).

Nos espaços da cidade e no cotidiano das pessoas as práticas esportivas, como parte integrante do lazer, encontram formas variadas de existência e manifestação. Desde “pelada” no fim de tarde, até os campeonatos amadores, já organizados em ligas específicas.

De acordo com o Ministério do Esporte, no documento sobre Política Nacional do Esporte e do lazer, resultante da I Conferência Nacional do Esporte e Lazer, “o esporte e o lazer são direitos sociais e, por isso, interessam à sociedade, devendo ser tratados como questões de Estado, ao qual cabe promover sua democratização, colaborando para a construção da cidadania”. Sendo considerado como fator de desenvolvimento humano e fonte de emprego e renda. “É no tempo e espaço de lazer que a manifestação cultural esportiva, despojada de sentido performático (da busca do rendimento), se apresenta como possibilidade de ser vivenciada por todos que o acessam” (MINISTÉRIO DO ESPORTE, 2006).

Em São Gabriel da Cachoeira, a Secretaria Municipal de Juventude, Esporte e Lazer – SEMJEL e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, turismo e Cultura estão voltada exclusivamente para o desenvolvimento do esporte, o lazer, meio ambiente, cultura e turismo. Dentro da prerrogativa institucional, é de sua competência valorizar e promover as manifestações esportivas e de lazer, garantindo ao cidadão a oportunidade de convivência, de integração, entretenimento e, sobretudo, de satisfação e prazer, visando uma vida social saudável (PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO GABRIEL DA CACHOEIRA, 2008).

IMPLEMENTOS PÚBLICOS E PARTICULARES DE LAZER












































































IMPLEMENTOS PÚBLICOS


01


ASSENTAMENTO:





- Teotônio Ferreira


02


CAMPOS DE FUTEBOL:





- Quirinão;


- campo atrás do Colégio São Gabriel;


- Bairro Thiago Montalvo;


- Ao lado da AABB;


- Bairro Graciliano;


- Centro Juvenil Salesiano;


- Itacoatiara Mirim;


- Comunidade de Camanaus;


- Circulo Bíblico Batista.


03


CENTRO DE ARTES:





- FOIRN;


- WARIRÓ;


- ISA.





04


CENTRO DE CONVIVÊNCIA








- Centro de Convivência do Idoso (CRAS)





05


CINEMA PÚBLICO:





- ISA


06


CLUBES DE MÃES





- Assai;


- Boa Esperança;


- Mão Amiga.


07


CLUBES SOCIAIS:





- Ecoema;


- Bairro da Praia (Xibé)


- Boa Esperança;


- Areial;


- Graciliano;


- Dabarú;


- Bairro da Paz.





08


ESCOLAS ESTADUAIS:





- Escola Estadual Dom João Marchesi;


- Escola Estadual Indígena Irmã Inês Penha.







09


ESCOLAS MUNICIPAIS:





- Dom Bosco (campo de areia)


10


GINÁSIO COBERTO:





- Arnaldo Coimbra;


- Diocese;


- Marchese;


- Centro Juvenil Salesiano;


- Prefeitura (atual garagem)


11


PRAÇAS DE ALIMENTAÇÃO:





- Dabarú (sem estrutura);


- Próximo ao Arnaldo Coimbra.


12


PRAÇAS PÚBLICAS:





- Praça do Rodoviário


13


QUADRA POLIESPORTIVA





- Arnaldo Coimbra;


- Diocese;


- Marchese;


- Centro Juvenil Salesiano.





14


QUADRAS DE AREIA (FUTEBOL E VOLEI):





- Alemazonas;


- Final da praia;


- Ao lado do quirinão;


- Itaoatiara Mirim;


- Comunidade do Areial;


- Comunidade de Camanaus;


- Casadas Irmãs.





15


UNIVERSIDADES





- UEA (com sede);


- UFAM (sem sede)


- ULBRA (com sede) Escola D. Miguel Alagna


16


PRAIAS





- Bairro da Praia;


- Porto do Luizinho;


- Mangueira;


- Beira-Rio;


- Dedé Chagas.





17


BIBLIOTECAS





- Colégio São Gabriel;


- Escola Dom Miguel;


- Diocese;


- FOIRN;


- ISA;


- Comunitária Jaú projetada 70.


18


ASSOCIAÇÃO DE PAIS E MESTRES





- Associação de Pais e Professores Indígenas do Rio Negro


- Da Escola Dom Bosco;


19


LIGA ESPORTIVA





- Liga Esportiva da Prefeitura de SGC


IMPLEMENTOS PARTICULARES


01


ACADEMIAS ESPORTIVAS





- Músculo e Forma (rua Virgílio Cardoso);


- Academia do Mambi (Boa Esperança);


- Mar’s Fitnss Performace (Auto Posto Rican, BR)


02


BARES





- Kuka (praia);


- Lúcia (praia);


- Catiguria (ao lado da Liga Esportiva);


- Schin (31 de Março);


- Bar do Ari (Costa e Silva);


- Lago do Jacaré (Costa e Silva);


- Bar do Sérgio (Queiroz Galvão)


- Bar do Léo (Areial);


- Bar dos Selos (ao lado do Ginásio);


- Bar Associação dos Biriteiros (rua 05 Dabarú);


- Bar do Marlido;


- Bar do Macarrão (Areial);


- Bar do Pingo de Leite (próximo a prefeitura).


03


HOTÉIS





- Walpés;


- Roraima;


- Praiano;


- Deus me Deu.


04


LANCHONETES





- Mac Dragon (Praia e AV. Castelo Branco);


- Dogão (Castelo Branco);


- Big Lanche (BR 307);


- Altas Horas;


- Pizaria Selva Drik’s (31 de março);


- Lanche Sorveteria Paisano;


- Lanchonete e restaurante Íris;


- Ponto do Guaraná (AV. Castelo Branco)


05


MOTÉIS





- Roraima;


- Chácara do Elias;


- Novo na Estrada.


06


PISCINAS





- Chácara do Quirino;


- Sítio da damiana;


- Casa do Neném;


- Casa da Neide (barcelos);


- Casa do Bigode;


- Casa do Orlando;


- Casa do zé Nogueira;


- AABB;


- Sítio Dom Bosco Jovem.


07


CHÁCARAS





- Chácara do Quirino


08 ASSOCIAÇÕES RELIGIOSAS





PRESBITERIANO


- Campo.





DIOCESANO


- Campo;


- Quadra;


- Ginásio.





FILHAS DE MARIA


- Campo de Barro;


- Campo de Areia.





SALESIANO


- Campo de Barro;


- Sala de Jogos;


- Ginásio.


09 ÁREAS MILITARES





CAMPO DE FUTEBOL


- 5º BIS;


- 21ª Cia E Cnst.





PISCINAS

- GRESSARNE (01 para adulto; 01 para criança);

- CIMARNE (01 para adulto; 01 para criança).


10


FESTIVIDADES





Festribal





Via Sacra





Festivais de Quadrilhas





Festa de Santos


11


ASSOCIAÇÃO





Associação Atlética Banco do Brasil – AABB









[1]
Hegemonia entendida como Gramsci nos apresenta na obra “Os intelectuais e a organização da cultura (1979)”.


1
Dentre eles podemos mencionar: Requixa (1980), Marcelino (1983, 2000, 2006), Dumazedier (1974, 1999), Camargo (1992), Bruhns (1997), Werneck (2000), Mascarenhas (2003) entre outros.










1
Dentre eles podemos mencionar: Requixa (1980), Marcelino (1983, 2000, 2006), Dumazedier (1974, 1999), Camargo (1992), Bruhns (1997), Werneck (2000), Mascarenhas (2003) entre outros.


[2] Hegemonia entendida como Gramsci nos apresenta na obra “Os intelectuais e a organização da cultura (1979)”.






A CIDADE DO CIDADÃO EM MANAUS.


Afirmamos que a produção espacial realiza-se de modo a viabilizar o processo de reprodução do capital e desse modo a cidade se apresentaria como a materialização das condições gerais do processo de produção em sua totalidade. Todavia, esse é apenas um dos lados da moeda; o outro refere-se ao trabalhador ao consumidor de modo geral. É preciso considerar a necessi­dade de se morar, habitar e viver num determinado lugar.


O modo como a sociedade vive hoje é determinado pelo modo como o capital se reproduz, em seu estágio de desenvol­vimento. Isso quer dizer, também, que o trabalhador não foge ao "controle" do capital, nem quando está longe do local depois o espaço da moradia tende a submeter-se às necessidades e perspectivas da acumulação do capital. O trabalhador também terá o acesso e as possibilidades de escolha para morar limitados. O modo de vida urbano, sob o capitalismo, impõe disciplina.


As contradições sociais emergem, na paisagem, em toda sua plenitude; os contrastes e as desigualdades de renda afirmam. O acesso a um pedaço de terra, o tamanho, o tipo e mate­rial. de construção espelham nitidamente as diferenciações de classe. O acesso à habitação e aos meios de consumo coletivo serão diferenciados. Teremos aqui duas características básicas:


A primeira. diz respeito à segregação espacial, tanto das pessoas de maior rendimento, quanto das de menor poder aquisitivo. As de maior rendimento tendem a localizar-se em bairros arborizados, amplos, com completa infra-estrutura, em zonas em que o preço da terra impede o acesso a "qualquer um". Há tam­bém os condomínios exclusivos e fechados, com grandes áreas de lazer e até shoppings, com grande aparato de segurança e amplos estacionamentos, como por exemplo a área da Ponta Negra em Manaus. Os de baixo rendimento têm como opção os conjuntos habitacionais, geralmente localizados em áreas distantes dos locais de trabalho. São os bairros operários com in­suficiência ou mesmo ausência de infra-estrutura; e as áreas peri­féricas onde abundam as autoconstruções, além das favelas que afloram no seio da mancha urbana, como Mauazinho,Vila da Felicidade e zona leste nesta cidade.


A segunda característica refere-se à tendência de o espaço urbano (re)produzir e ampliar a distância (tanto em quilômetros quanto em tempo) entre o local de moradia e o local de trabalho. É uma resposta, de um lado, ao aumento populacional e à con­centração na cidade, e de outro ao processo de valorização da terra que deixa vazias áreas imensas da cidade.


A compreensão do fenômeno urbano, no que se refere ao processo de produção, traz a questão do processo industrial. No capitalismo, a produção e o desenvolvimento do urbano vincu- lam-se à instalação e crescimento (direto ou indireto) da ativida­de industrial e das atividades que a indústria cria. Como surgi­mento do fenômeno industrial, o urbano muda de conteúdo. Ao mesmo tempo e na cidade, devido ao seu grau de concentração espacial, que aflora mais claramente a contradição de classes, tão nítida na paisagem dos bairros. Essa contradição se manifes­ta pelo contraste entre a riqueza e a pobreza. É no urbano que se manifestam mais claramente as relações de produção capitalis­tas e onde a violência se faz maior. Como já vimos, a cidade é o campo privilegiado das lutas de classe.Se por um lado o espaço cada vez mais socializado (tanto no que se refere ao potencial de expansão, quanto no que se refere à sua produção), por outro lado a sua apropriação é privada (a diferença entre bairro expressa isso claramente)


O processo de reprodução espacial envolve uma sociedade hierarquizada, dividida em classes, produzindo de forma sociali­zada para consumidores privados, a cidade aparece como um produto apropriado de forma diferenciada pelos indivíduos.


Entender o espaço urbano do ponto de vista da reprodução da sociedade significa pensar o homem enquanto ser individual e social no seu cotidiano, no seu modo de viver, agir e pensar. Significa entender o processo de produção do humano num contexto mais amplo: o da produção da história, de como os homens produziram e produzem as condições materiais de sua existência. Hoje, essas condições ocorrem aprofundando a contradição entre a opulência e a miséria, que reflete a distribuição da riqueza. As condições de vida da sociedade urbana estão vinculadas direta ou indiretamente a isso; é uma relação de poder que extrapola o locus de trabalho.


Dentro desse quadro a (re)produção do espaço é também o vive da reprodução da vida humana.O homem vive onde se pode morar e isso será determinado por sua renda e pelos sacrifícios que pode fazer. Como ele pode morar e em que condições vive depende do acesso aos serviços coletivos produzidos.


O espaço não se (re)produz sem conflitos e as contradições inerentes a uma sociedade de classes. As práticas não se reduzem apenas à produção imediata, dentro da fábrica. É na vida co- tidiana como um todo, que essas contradições se manifestam mais profundamente, nas diferenciações entre os modos de mo­rar, o tempo de locomoção, o acesso à infra-estrutura, ao lazer, à quantidade e tipos de produtos consumidos, etc. Quanto mais a sociedade se desenvolve, mais aprofunda as diferenças entre os indivíduos (fundamentalmente nos países subdesenvolvidos).


O espaço enquanto reprodução da vida coloca-nos diante de um quadro formado pela inter-relação do modo de vida com o processo de trabalho. A habitação como uma das necessidades básicas e fundamentais do homem dá-nos uma visão precisa so­bre o modo de vida urbano, o local de morada é associado ao preço da terra. Este será determinado Pelo jogo de mercado e apoiado nos valores criados e veiculados pela sociedade, num determinado momento histórico.


Na articulação desses fatores está a ausência da explica­ção de distribuição espacial dos habitantes na cidade, qual seja, a relação de classes expressa na contradição entre- a produção e a apropriação da riqueza. Nesse sentido a cidade é expressão da materialização espacial das desigualdades sociais emergentes na sociedade atual.


Enquanto meio de consumo, a cidade é local de moradia, percurso (casa-trabalho, casa-escola, casa-compras, casa-lazer, etc.), trabalho, lazer, cultura. Mas é também poluição, congestionamento, desconforto. Seu consumo pode tanto dar-se através da troca (caso da habitação, transporte, infra-estrutura, saúde, escola) como através do uso sem a mediação do mercado, caso, por exemplo de bens de consumo produzidos pelo Estado (escolas, pronto-socorros, etc. ou onde a sociedade cria um so possí­vel (áreas de lazer, praças, etc.).


A determinação social do espaço, enquanto meio de con­sumo para satisfazer necessidades humanas, assume uma forma.de valor, de intercambialidade; ele é trabalho materializado ou em potencial. Isso implica necessariamente uma disputa que obedece às regras do jogo de mercado.


As formas assumidas pelo processo de produção do espaço urbano – em função da divisão social e territorial do trabalho-refletem, necessariamente, a contradição entre um processo de produção socializado e sua apropriação privada. Implicam a con­tradição entre os interesses e necessidades da reprodução do capital, de um lado, e do desenvolvimento da sociedade como um todo, de outro. Logo, o que está em jogo é o processo de produção da cidade e sua apropriação do espaço para determi­nado uso.


O espaço, entendido como base da vida e de toda atividade humana, seja ela produtiva ou não, tem, no capitalismo, seu processo de apropriação legitimado juridicamente pela propriedade privada. O acesso à terra confere ao proprietário o direito de dispor dela. Seu uso será determinado pelas necessidades de re­produção do capital, ainda que este apareça travestido, sob a forma de necessidades da sociedade em geral.


O uso do solo urbano dá-se, pois, mediante disputa determinada quer pela necessidade do uso e mesmo expansão de certos tipos de uso, como pela utilização da terra como reserva de valor. A disputa fundamentada nas contradições em que se dá o processo de reprodução espacial, implica profundas transformações no uso do solo.


O uso do solo urbano será disputado pelos vários segmen­tos da sociedade de forma diferenciada, gerando conflitos entre indivíduos e usos, pois o processo de representação espacial envolve uma sociedade hierarquizada, dividida em classes, produzindo de forma socializada para indivíduos privados. Desse mo­do, a cidade enquanto trabalho materializado social é apropriada de forma diferenciada pelo cidadão.


Assim, a diferenciação dos usos será a manifestação espa­cial da divisão técnica e social do trabalho, num determinado momento histórico. A forma em que se apresenta é decorrente do grau de desenvolvimento das formas produtivas materiais da so­ciedade, das condições em que se dá a produção e do desenvolvimento do processo de humanização do homem.


Não podemos negar que na cidade as relações entre ho­mens são diferentes das da fábrica; aqui existe a esfera da coti­dianidade que envolve, basicamente, relações de consumo. A relação de dominação entre os homens é suavizada, mas nem por isso desaparecem as diferenças, que aparecem não só no uso do solo, no acesso aos bens de consumo coletivo, mas na roupa, nos olhos, nos gestos, etc.


Por outro lado, a cidade não é simples condição objetiva de vida, ela supõe direção, gestão, atividades sociais, políticas, religiosas, etc. Em certo sentido, é também cultura; e por isso guarda a dimensão do humano. Todavia, ela se produz de forma vin­culada à propriedade privada que se materializa na segregação espacial.


Em síntese, o entendimento da cidade só pode ser alcançado a partir da unidade de dois níveis de análise; aquele da capital e o da sociedade como um todo onde o indivíduo é antes de mais nada um cidadão com todos os direitos que o termo implica.

domingo, maio 02, 2010

PÍFIA CONFERÊNCIA ESTADUAL DE ESPORTE E LAZER EM MANAUS.

Com a participação de 500 pessoas, entre representantes dos municípios, dirigente de clubes, presidentes de federações e associações desportivas, e representantes da sociedade civil, foi executada na manhã da quarta-feira (28) e quinta-feira (29) a III Conferência Estadual do Esporte, no auditório da Assembléia Legislativa do Estado do Amazonas (ALEAM).

Realizada pela Secretaria de Estado da Juventude, Desporto e Lazer (Sejel), a conferência buscou debater as propostas para a concretização de ações desportivas, mapeando a cadeia produtiva do esporte e democratizando a elaboração de políticas públicas que contribuam para o Plano Decenal do Esporte e Lazer, criado na Conferência Nacional, a ser realizada pelo Ministério do Esporte em Brasília, no período de 03 a 06 de junho.

A Conferência como sempre, vem servindo para disputas políticas entre o Partido Comunista do Brasil – PC do B e o Partido dos Trabalhadores – PT, onde seus filiados na maioria das vezes sem a devida formação em Esporte e Lazer, melhor dizendo, em Educação Física ficam se digladiando por vagas para irem a Brasília, na maioria das vezes para fazer turismo, sem o mínimo de interesse na temática da Conferência Nacional. Isso já vem ocorrendo desde 2006 e nem o Conselho Municipal nem o Estadual toma à devida providencia, é muita incompetência na gestão pública voltada para o esporte e lazer na nossa cidade, até onde isto vai?...

Segundo o secretário de Esportes do Amazonas, Júlio César Soares, a conferência demonstra o interesse e o envolvimento da população amazonense com o desenvolvimento do esporte nacional.

“O resultado mais expressivo foi a mobilização, que possibilitou, pela primeira vez, a integração de todo Estado em um único evento”, disse o secretário ao frisar que no ano de 2010, participaram das conferências municipais e das 30 conferências livres realizadas por representantes da sociedade civil, mobilizando cerca de 10 mil pessoas.

Representando o Ministério do Esporte no evento, Luiza Rangel Nogueira, ressaltou que as conferências são os momentos primordiais para se acabar com as assimetrias sociodesportivas existentes nas regiões brasileiras.

“Como sede de grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas em 2016, o Brasil precisa aproveitar este momento para fomentar as bases esportivas em todas as regiões para que o legado deixado por estas competições seja utilizado”, disse Luiza Rangel.

Na solenidade, o secretário de esportes, homenageou personalidades que contribuíram para o esporte local. “Não podemos esquecer de grandes nomes que ajudaram a alavancar o esporte no Amazonas, como Flaviano Limonggi, Arnaldo Santos e Ariovaldo Malízia, aqui presentes, e já não entre nós Orlando Rebelo e o grande atleta amazonense, Raulino”, citou Soares.

Após a abertura, os participantes assistiram à palestra do mobilizador nacional da Conferência Nacional do Esporte, Allan Fricky, que também leu e aprovou, junto com os presentes, o regime interno da Conferência Estadual.

POPULISMO CLEPTOCRATA - A CAPITAL DO MORMAÇO.

Sempre me pergunto por que o Amazonas, que se arroga a ter a economia mais moderna do Norte, do País, cultiva uma das políticas mais atrasadas do Brasil? No plano estadual, a administração pública ainda está atrelada ao controle cioso do governador, que faz do secretário de Fazenda o seu guarda cofre e os demais secretários como meros subalternos, já que a execução do orçamento aprovado pela Assembléia Legislativa não está sobra total responsabilidade de cada urna secretaria de estado. Mensalmente os secretários ficam a mercê da Fazenda, que sua parte espera que o governador aponte os felizardos que merecem receber e aqueles estigmatizados que receberão o castigo da demora.

Este centralismo emperra a máquina e aumenta os gastos, mas a lógica não é da eficiência republicana. O centralismo é o alicerce econômico do populismo e de outras manobras escusas. Aí esta, finalmente, o problema: populista. Executivo e legislativo se unem em torno dessa bandeira, levando os partidos políticos na enxurrada pútrida das ofertas de cargos e renúncia ao espírito republicano, pavimentando de lama a história recente de nossa história política. É este “modelo gestor” do estado que mobiliza as facções políticas locais. Nenhuma das correntes propõe romperem ciclo que vem infelicitando o Amazonas nos últimos 50 anos, e que dotou Manaus do padrão devido africano em que vivemos.

O tumor maligno do populismo cleptocrata amazonense tem suas origens em Gilberto Mestrinho, que inaugura o processo de privatização do estado e a supremacia do continuísmo sobre os ideais democráticos e republicanos. E desse tumor original saíram às metástases atuais, nesse momento divididas e disputando o controle do aparelho de estado. O Partido dos Trabalhadores, que foi criado para fazer a diferença no quadro político nacional, aqui é uma espécie de sucursal do modelo carioca, o partido da boquinha, que não despreza nenhum carguinho porque ninguém é de ferro.

O problema é que um PT que trai a sua própria história deu músculos ao populismo, tomou corpo e coragem. Marchando na contramão de sua história, o PT se aliou a todos os grupos cleptocratas e se conformou em ser linha auxiliar locupletando-se dos cores sobraram da farta mesa. A concepção moderna do PT sucumbiu ao fisiologismo tão condenável, e chegamos mesmo a assistir lideranças do partido vir de público fazer a defesa de alguns notórios políticos corruptos que estavam sob o fogo do Ministério Público e acabaram sem os mandatos.

O pior é que as opções que o PT põe na mesa, não são de fato opções. Dois grupos se digladiam não para repor o partido em sua trajetória de luta, mas para ficar com a metástase populista que melhor lhes saciar a fome fisiológica. Nos redutos do PSB, a lógica também não é diferente. Ali, nada mudou. Serafim Correia segue sem hesitar no seu propósito. Renunciou seu projeto político e vale qualquer aliança, desde que garanta a reeleição de seu pimpolho. O resto que se dane. O populismo já se apossou de tal forma do organismo político amazonense, que não parece ser mais operável. Não há quimioterapia ou radioterapia que o salve.

A oposição minguou, encruou e tomou chá de sumiço, além de sofrer também da síndrome do pimpolho. Até mesmo o sindicalismo abandonou sua independência em troca das benesses de um estado quase em coma pelo excesso de dívidas. Ainda assim, todos estão assanhados, pois sabem que o tumor populista é perfeito para usufruir da dinheirama que aqui aportará com a Copa do Mundo de 2014. Isto se Manaus continuar credenciada, pois sé a cleptocracia é eficiente em seus propósitos, a FIFA é macaca velha. Nesse embate, quem sai perdendo é a cidade, que assim tem seu futuro comprometido. Tenho pena do palanque que preparam por aqui para a Dilma. Ela que segure bem a própria bolsa.

Texto de Marcio Souza, escritor e dramartugo amazonense.

marciosouza@argo.com.br

sábado, maio 01, 2010

AMAZONAS TEM O PIOR ÍNDICE DE BIBLIOTECAS PÚBLICAS DO PAÍS.

Embora faça pesados investimentos em cultura, como os festivais de ópera e cinema internacional, o Estado do Amazonas tem o pior índice nacional de bibliotecas oferecidas à população. O 1° Censo Nacional das Bibliotecas Públi¬cas Municipais revela que são 0,70 bibliotecas por 100 mil habitantes amazonenses. O Estado, que ocupa a última posição entre as 27 unidades da federação, com BPMs, tem 62 municípios e 3.393.369 habitantes. O município com maior número de bibliotecas por 100 mil habitantes é Parintins (0,93) e o pior índice do Estado é Manaus, com 0,05 bibliotecas.
A pesquisa feita pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), sob encomenda do Ministério da Cultura, mostra ainda que, em 2009, 37% dos municípios amazonenses possuíam ao menos uma biblioteca aberta, o que corresponde a 23 bibliotecas em 23 municípios. Em 60% dos casos, as BPMs ainda estão em fase de implantação ou reabertura e 3% estão fechadas, extintas ou nunca existiram. Não há biblioteca pública municipal em Guajará e Tefé no Amazonas. Segundo o levantamento, em 420 municípios brasileiros não existem bibliotecas.
A Fundação Biblioteca Nacional promoverá a implantação ou reinstalação dessas bibliotecas, com a distribuição de kits com acervo de dois mil livros, mobiliário e equipamentos, no valor de RS 50 mil, totalizando R$ 100 mil no Estado. Também vão receber Telecentros Comunitários do Ministério das Comunicações.
Os usuários das bibliotecas públicas municipais, no Amazonas, não vão ao local para o lazer. Mas, assim como no restante do Brasil, o uso é maior para pesquisas escolares (78%), superior à média nacional (65%). Os assuntos mais pesquisados nas bibliotecas são Geografia e História (83%); literatura (7O%); e obras gerais - enciclopédias e dicionários - (61 %). Segundo o levantamento, a média de visita é de 2,3 vezes por semana, acima do índice nacional (1,9/semana).
No Amazonas, empresta-se 122,4 livros por mês, o maior da Região Norte, que é de 90 volumes mensais. A média nacional de empréstimos é de 296 livros/mês. A maior parte das bibliotecas tem acervo entre 2 mil e 5 mil volumes. Nenhuma das bibliotecas oferece serviços para deficientes visuais (áudio-livros em braille, etc), índice Inferior ao nacional (9%). No caso, dos serviços especializados para surdos-mudos, deficientes mentais ou físicos, o índice é de 4%. A média nacioonal é 6% nesses casos. O curso de Educação Física da Universidade do Estado do Amazonas – UEA é o único curso no Brasil com livros específico para as disciplinas, como também, para a disciplina em Libras voltadas para seus alunos em 16 municípios no Estado do Amazonas.
O Estado tem apenas 26% bibliotecas com lnternet e somente 22% delas oferecem o serviço ao usuário. As BPMs amazonenses têm mais funcionários (6,8) que a média nacional (4,2). É o maior número regional. O levantamento mostra que 83% dos dirigentes das bibliotecas são mulheres e a maioria tem nível superior (61 %).
RR tem mais municípios sem o espaço
Pará tem o maior índice de municípios que possuem BPMs na região (77%), enquanto Amazonas temo menor (37%). O Norte tem uma, média de 2,01 bibliotecas por 100 mil habitantes. Tocantins: é o líder regional e nacional, neste quesito (7,73), seguido de Rondônia (2,59), Amapá (1,75), Roraima (1,66), Paia, (1,60), Acre (1,44) e Amazonas (0,70). O município do Norte com maior número de bibliotecas por 100 mil habitantes) é Itaituba/PA (1,56), seguido por Castanhal/ (1,23) e Palmas/TO (1,06)n Entre os piores índices estão Manaus/AM (0,05), Belém/PA (0,06) e Ananindeua/PA (0,19).
A região tem 51 municípios que receberão, kits de implantação de bibliotecas. No Norte, o Pará é o Estado em que o governo federal precisará investir mais, pois 21 municípios não têm equipamento. As cidade que não receberão kits já estão reabrindo ou implantando suas bibliotecas. Pelo Censo Nacional das Bibliotecas PU- bélicas Municipais, o Sul é a região brasileira com mais bibliotecas por 100 mil habitantes (4,06), seguida do Centro-oeste (2,93), Sudeste (2,12).

sexta-feira, abril 30, 2010

O FUTEBOL NOSSO DE CADA DIA


Quando se fala em "futebol brasileiro", o que primeiro nos vem à mente é o esporte profissional: os torneios, os clubes, a seleção, os craques. Mas esta é apenas uma parte da coisa toda. Uma parte fundamental, é verdade, em ter­mos de visibilidade e de volume de capital movimentado1, mas relativamente muito pequena se pensarmos no conjunto da sociedade e nas múltiplas formas como o futebol é vivido por ela no dia a dia.

Se os futebolistas profissionais "federados" (isto é, inscritos em federações) pouco passam dos 20 mil no país, estima-se em nada menos que 30 milhões o número de praticantes amadores do esporte2. São 14mil os times amadores (os clubes com departamento de futebol profissional, ou semiprofissional, são cerca de 800) e isso não inclui, obviamente, os "peladeiros" que se reúnem eventualmente para jogar na praia, nas quadras de clubes, escolas e centros esportivos, nos campos de várzea, de fazenda ou de,fábrica, nos terre­nos baldios, nas miríades de campos de grama sintética espalhados pelas grandes cidades brasileiras.

No Brasil, para qualquer lado que se olhe, haverá sempre um gol improvisado, um campo traçado por cal, por giz ou simplesmente pela imaginação. O futebol se desdobrou entre nós numa série de modalidades deriva­das e adaptadas às mais diversas condições de realização: o futsal (antigo "futebol de salão"), o futebol society ou futebol suíço, o showball, o futebol de praia, o futevôlei. Isso para não falar de jogos de natureza totalmente dis­tinta, mas inspirados nas suas regras, na sua história e na sua mitologia: o pebolim (ou totó, como é chamado no Rio), o futebol de botão e os inúmeros games eletrônicos que têm o futebol como modelo e referência. Houve até, nos anos 1970, unia modalidade efêmera e bizarra, o "autobol", jogado por duas equipes de automóveis e uma bola de couro de 1,20 metro de diâmetro3.

O fato de o futebol ter-se popularizado no Bra­sil entre cidadãos que não têm acesso a clubes e boas escolas, e que portanto aprendem a praticá-lo desde a infância em carapinhos irregulares de terra, em ruas esburacadas, em praias e pastos, em meio a vacas, árvo­res ou automóveis, costuma ser evocado para explicar a habilidade ímpar dos jogadores brasileiros, seu "Jogo de cintura" e capacidade de improvisação.

Sem entrar na discussão do quanto pode haver de construto ideológico nessa ideia, o fato é que o futebol no Brasil tem assumido, há um século, as formas mais variadas e vencido os obstáculos mais difíceis.


FUTEBOL NA SELVA: DA COPA DOS RIOS AO PELADÃO


Um dos eventos mais emblemáticos da força mobili­zadora do futebol nos centos mais remotos do país é a impressionante Copa dos Rios, que reúne anualmente times representativos de municípios amazonenses loca­lizados à beira do Amazonas e de outros grandes rios da região, como o Negro, o Solimões, o Madeira, o Juruá e o Purus. Em sua primeira fase entram no torneio todas as seleções municipais que se inscrevem. Esse número inicial varia entre 40 e 50 a cada ano. Alguns dos times viajam até duas semanas de barco para realizar seus jo­gos. Os rios são, na maior parte dos casos, a única via de comunicação entre as cidades envolvidas4.

Também no Amazonas, mais precisamente em Manaus, ocorre há quase quatro décadas aquele que é considerado o maior campeonato amador de futebol do mundo, o Peladão, ou Campeonato de Peladas de Ma­naus. O torneio, que em 2009 realizou sua 37a edição, reúne anualmente entre 500 e mil times da região..Parale­lamente à competição, realiza-se um concurso de beleza entre torcedoras dos clubes participantes, para eleger a Rainha do Peladão. Desfilando com a camiseta dos res­pectivos clubes sobre sumários biquínis, as candidatas completam a dupla conotação da palavra "pelada"5.
Até entre os índios o futebol é uma diversão leva­da muito a sério. Desde 1996 acontecem anualmente os Jogos Olímpicos Indígenas, promovidos pelo Ministério dos Esportes em parceria com os Estados-sedes de cada edição. O evento reúne atletas de cerca de 60 diferentes etnias de todo o país. Desnecessário dizer que o futebol, tanto masculino como feminino, é um dos esportes mais concorridos, ao lado de modalidades mais caracteristica­mente indígenas, como a corrida de toras.
E em Roraima se realiza, desde 1997, o Campeonato das Comunidades Indígenas do Estado, com a participação de quase cem seleções de aldeias. É a maior competição fu­tebolística exclusivamente indígena de que se tem notícia.

Um dos estudos mais interessantes sobre a relação entre índios brasileiros e o futebol é o livro Boleiros do Cerrado, resultado das pesquisas de campo do antropó­logo e ex-futebolista profissional Fernando de Luiz Brito Vianna, que jogou no Juventus de São Paulo e no No­roeste de Bauru com o nome de Fedola. O pesquisador conviveu com os xavantes do cerrado mato-grossense, es­tudando não apenas os times e torneios entre aldeias, mas também o modo como os índios vivem o futebol no dia a dia. Chegou a atuar como treinador da equipe de uma al­deia — e descobriu pontos de contato entre o pensamento lúdico e dual dos xavantes e o universo do futebol6.

Se, até agora, o "futebol indígena" vinha se desenvol­vendo à margem do mundo do esporte profissional, limitando-se a jogos intertribais e com raros jogadores índios chegando aos clubes "brancos"7, em 2010 o Campeonato Paraense da segunda divisão contará com o surpreendente Gavião Kykatejê Futebol Clube. O time, que até o início de 2009 se chamava Castanheira e disputava campeonatos amadores da região, é formado por habitantes da aldeia Gavião Kykatejê situada a 25 quilômetros de Marabá. De seus 26 jogadores atuais, apenas três não são índios8.

Tudo isso sem falar nos jogos com bola praticados pe­los índios brasileiros antes (ou à margem) do contato com os brancos, o que levou alguns ufanistas radicais a apontá-los como precursores do futebol tal como o conhecemos hoje.

No polo oposto ao desse futebol praticado em aldeias e beiras de rio nos confins do país, cresceu ex­ponencialmente nos últimos anos, nas grandes cidades brasileiras, uma modalidade futebolística essencialmen­te urbana: o futebol society, também chamado de futebol sete, futebol suíço e futebol social.

Espécie de intermediário entre o futsal e o futebol propriamente dito, o society é jogado por equipes de sete jogadores, em campos de dimensões reduzidas, geral­mente de piso sintético, mas também eventualmente de areia ou de grama natural. Seus praticantes são, em geral, assalariados do comércio e do setor de serviços, profissio­nais liberais, estudantes, pequenos empresários, executi­vos — uma classe média ampla e heterogênea, em suma.

Apesar do nome estrangeiro, foi no Brasil que o futebol society surgiu, ou pelo menos se institucionali­zou. Um brasileiro, Milton Mattani, criou as suas regras e fundou, em 1996, a Confederação Brasileira de Futebol Sete Society.

Em poucos anos o society explodiu. Hoje há 25 fe­derações espalhadas pelo país e calcula-se em 9 milhões o número de praticantes, 4 milhões deles só no Estado de São Paulo9. Uma constelação de refletores ilumina as noites paulistanas, cariocas, porto-alegrenses... São os campos de futebol society, ocupados por grupos de amigos, vizinhos, parentes, colegas de firma ou de esco­la. A felicidade — ou ao menos a sua promessa — alugada por uma hora.
REFERÊNCIAS
1 – De acordo com um balanço elaborado pela Fifa e enviado em 2001 à Fundação Getúlio Vargas (FGV), o futebol movimenta US$ 440 milhões referem-se apenas às transferências de jogadores.

2 – Conforme levantamento feito pela FGV para a CBF, citado em reportagem do JB on-line de maio de 2001: http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/esportes/2001/05/21/joresp20010521016.html

3 – A existência desse pitoresco derivado do futebol é lembrada no livro de Alex Bellos, Futebol – O Brasil em campo (Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002); PP. 137-144.

4 – Histórias saborosas da Copa dos Rios de 1997 são narradas em Mário Magalhães, Viagem ao País do Futebol (São Paulo: DBA, 1988). Com fotos de Antônio Gaudérico, o livro reúne reportagens realizadas por Magalhães em 17 cidades de nove Estados brasileiros e publicadas na Folha de S. Paulo entre 1993 e 1997.

5 – Uma divertida descrição de uma das edições do Peladão, bem como uma reportagem sobre personagens e o contexto social da competição, encontra-se em Alex Bellos, op. Cit.; Futebol – O Brasil em Campo, PP. 219-240.

6 – Ver Fernando de Luiz Brito Vianna, Boleiros do Cerrado – Índios Xavantes e o Futebol (São Paulo: Annablume/Fapesp, 2008).

7 – O caso recente de maior visibilidade foi o do lateral-direito Índio (José Satiro Nascimento), bicampeão brasileiro com o Corinthians em 1998 e 1999. Membro da tribo xucuru-cariri, nasceu em Palmeira dos Índios (AL). Chegou a atuar no futebol sul-coreano.

8 – Ver revista Placar, edição n0 1.334, de setembro de 2009.

9 – Outros Estados com número expressivo de praticantes são Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, com cerca de um milhão cada, de acordo com dados publicados no site oficial da Confederação Brasileira de Futebol Sete Society: http://www.7society.com.br/.







quinta-feira, abril 29, 2010

Vídeo de Apresentação do Projeto Praça da Juventude do Governo Federal, Ministério do Esporte.

Projeto Praça da Juventude - Governo Federal - Ministério do Esporte.