sexta-feira, maio 07, 2010

EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NA AMAZÔNIA




                                  EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NA AMAZÔNIA
Imaginem-se vivendo em um estado enorme, o maior do Brasil, todo preenchido com árvores, em que você precisa se locomover principalmente através dos rios utilizando as embarcações que levam dias a fio para chegar ao destino. Há cidades no norte do estado em que o percurso de Manaus até elas é feito em 40 dias. Subir o rio e percorrer suas muitas curvas faz das viagens longas jornadas de paciência e resignação à condição imposta pela natureza e pela economia: é difícil pagar pelos vôos do interior do estado, pois são caríssimos.
Em um estado em que transitar é algo tão complicado, demorado e caro, muitas questões que são facilmente resolvidas em outros lugares tornam-se um grande problema. Hoje quero falar da dificuldade de levar a educação para o interior do Amazonas.
Como seria possível levar os poucos professores qualificados que se encontram em Manaus para o interior? A solução encontrada tanto para o ensino fundamental, de 1º. a 9º. ano, quanto para o médio, 1º. a 3º. ano, e para a graduação, foi a educação mediada à distância. Sim, ensino à distância. Mas um ensino à distância feito com bastante categoria e qualidade. Muito, muito interessante o que tem feito por aqui
Conheço de perto a realidade do ensino superior à distância. A UEA, Universidade Estadual do Amazonas. oferece para cerca de 16 cidades do interior do Amazonas as graduações de Matemática, Tecnologia de Sistemas, Educação Física e em breve Ciências Econômicas. Os alunos fazem o vestibular e ficam quatro anos frequentando a sala de aula e sendo acompanhados por um professor assistente. Esse professor assistente é treinado, mas o conhecimento mesmo é transmitido pelos mestres e doutores da Universidade que fazem a aula ao vivo em um estúdio em Manaus.
Luz, câmera, ação. Professores a postos no estúdio, alunos à postos nas salas de aula e o processo de educação se inicia. Se tem gente que pensa que é difícil para um professor manter a atenção de um aluno por mais de uma ou duas horas, está certíssimo quando pensa em alunos de capitais ou da zona sul, sudeste do Brasil. Aqui, no interior do Amazonas, a atenção é toda voltada para o professor e o processo de educação tem um valor que nem se pode imaginar. Os alunos enchem seus olhos de brilho quando podem encontrar pessoalmente com seus mestres. Idolatram. Respeitam. Querem sugar todo o conhecimento. E tudo o que recebem de informação tem um valor impressionante. Incrível como ter tão pouco faz tudo o que se ganha parecer tanto.

Texto de Paula Quintão.




quinta-feira, maio 06, 2010

CULTURA POPULAR [1]


Cultura popular1 está longe de ser um conceito bem definido pelas ciências humanas e especial­mente pela Antropologia Social, disciplina que tem dedicado particular atenção ao estudo da "cultura". São muitos os seus significados e bastante hetero­gêneos e variáveis os eventos que essa expressão recobre.
Ela remete, na verdade, a um amplo espectro de concepções e pontos de vista que vão desde a negação (implícita ou explícita) de que os fatos por ela identificados contenham alguma forma de "saber", até o extremo de atribuir-lhes o papel de resistência contra a dominação de classe.
Essas diferentes concepções orientam a obser­vação do pesquisador para fatos bastante diversos entre si. Tomemos, por exemplo, esses dois pontos de vista extremos. O primeiro refere-se, em geral, a aspectos da tecnologia (técnicas de trabalho, procedimentos de cura, etc.) e de "conhecimento" do universo, enquanto o segundo enfatiza as formas artísticas de expressão (literatura oral, música, teatro, etc.); um tende a pensar os eventos no passado, como algo que foi ou que logo será superado; e outro pensa-os no futuro, vislumbrando neles indícios de uma nova ordem social.
Examinaremos, neste capítulo, dois pontos desse espectro: por um lado, a "cultura popular" concebida por contraste ao termo genérico "cultura" em seu uso corrente e, por outro, como suporte de uma idealização romântica da tradição, que é uma perspectiva freqüentemente encontrada nas teorias de muitos folcloristas, além de ser amplamente difundida entre diversos setores da sociedade. Mais adiante, retomarei a questão de se concebê-la como um modo de resistência.
Embora este trabalho tenha por objetivo introduzir o tema a um público de não especialistas, acredito ser conveniente não escamotear o mal-estar que, em geral, esse assunto provoca em muitos intelectuais. Muita gente torce o nariz, levanta as, sobrancelhas ou movimenta-se com impaciência quando ouve o enunciado "cultura popular". Isto se deve a, pelo menos, dois motivos. Em primeiro lugar, ao fato dessa noção ter servido a interesses políticos populistas e paternalistas, tanto de direita quanto de esquerda; em segundo, ao fato de que nada de claramente discernível e demarcável no concreto parece corresponder aos múltiplos significados que ela tem assumido até agora.
Já é tempo de nos indagarmos sobre o sentido mais profundo dessa expressão e sobre a conveniência de a continuarmos usando como rótulo identificador de não se sabe muito bem o quê.
Esta postura requer do leitor, entretanto, atenção dupla, pois, a um só tempo, estaremos dando os primeiros passos e buscando novos caminhos.
Nas sociedades estratificadas em classes, essas esferas da "cultura" são, na verdade, atividades especializadas que têm como objetivo a produção de um conhecimento e de um gosto que, partindo das universidades e das academias, são difundidos entre as diversas camadas sociais como os mais belos, os mais corretos, os mais adequados, os mais plausíveis, etc. Nesse sentido, "ser culto" é uma condição que engloba vários atributos: ter razão, ter bom gosto ou, numa palavra, como diz o nosso dicionário, "saber, ter conhecimento, estar informado.
Se olharmos à nossa volta, logo nos damos conta que são muitos e variados os valores e concepções de mundo vigentes numa sociedade complexa e diferenciada. Numa cidade como São Paulo, por exemplo, onde grande parte da população descende de estrangeiros e de migrantes rurais, diversos modos de vida são recriados. É imedia­tamente visível a presença da cultura japonesa no bairro da Liberdade; da judia no Bom Retiro; da italiana no Bexiga e na Moóca. A inspiração rural está presente nos indefectíveis tomateiros e pés de xuxu plantados nos quintais de pequenas dimensões: nos canteiros de temperos e chás de ervas construídos em centímetros quadrados, furtados aos chãos de cimento avassalador... É marcante a presença da cultura nordestina em bairros da zona leste e da zona sul da cidade. São várias as religiões, múltiplas as formas de se lidar com as doenças e aflições, variados os modos de relacionamento dentro e fora da família, para não mencionar as estratégias de sobrevivência e as concepções sobre o sentido do trabalho.
Refletindo com cautela, entretanto, logo perce­beremos que por sobre essas diferenças, alguns valores e concepções são implementados social­mente, através de complexos mecanismos de produção e divulgação de idéias, como se fossem, ou devessem se tornar, os modos de agir e de pensar de todos. É essa na verdade uma das funções mais importantes (embora não a única) das escolas, das igrejas, dos museus e dos meios de comunicação de massa. Ainda que muitas vezes de modo indireto e implícito, essas agências procuram aproximar o que é efetivamente dissemelhante, legitimando a supremacia de alguns modos particulares de "saber" sobre os demais.
Aprendemos, por exemplo, na escola ou na propaganda da TV, que "o Brasil é um cadinho democrático de raças". Que europeus, índios, negros contribuíram com suas características biológicas e culturais para formar a nação brasileira. Não obstante, o branco que se precavenha pois "quando um negro não suja na entrada, ele suja na saída".
Sabemos bem que "religião, cor e política não se discute", pois cada um tem a sua preferência. Mas "Deus é brasileiro-, as nossas catedrais são católicas, apostólicas e romanas e os nossos generais democráticos. "Pãos ou pães, é questão de opiniões".
Embora nos ensinem a ter um modo de vida refinado, civilizado e eficiente — numa palavra, "culto" — não conseguimos evitar que muitos objetos e práticas que qualificamos de "populares" pontilhem nosso cotidiano.
Samba, frevo, maracatu, vatapá, tutu de feijão, cuscuz. Seresta, repente e folheto de cordel. Longada, reisado, bumba-meu-boi, boneca de pano, talha, mamulengo e colher de pau. Moringapeneira. Carnaval e procissão. Benzimento, quebrante, simpatia e chá de ervas.
Alguns numa região, outros noutra, com sotaque italiano, japonês, alemão ou árabe, ou ainda de modo supostamente puro, tudo isso conhecemos muito bem e com tudo isso convivemos com grande familiaridade.
Entretanto, quando fazemos nossas teorias — para uso privado ou para serem divulgadas —tendemos a colocar juntas essas "coisas" que são, entre si, tão heterogêneas. Repudiamos, qualificando de ingênuo, de mau gosto, indigesto, ineficaz, errado, anacrônico ou, benevolente-mente, pitoresco, tudo aquilo que identificamos com "povo".
Essa ambivalência em relação ao que é diferente e, especialmente, ao que é identificado com "povo", por parte daqueles que tomam para si para os seus a tarefa de catequizar o resto da sociedade, não decorre apenas do desconhecimento da beleza, eficácia e adequação insuspeitadas do que lhes é culturalmente "alheio". Na verdade, essas atitudes contraditórias em relação à "cultura popular" resultam em grande medida do seguinte paradoxo.
Nas sociedades industriais, sobretudo nas capi-talistas, o trabalho manual e o trabalho intelectual são pensados e vivenciados como realidades profundamente distintas e distantes uma da outra.
Reflitamos um minuto, por exemplo, sobre as diferenças sociais que há entre um engenheiro e um eletricista, ou entre um arquiteto e um mestre-de-obras.
Além da discrepância entre salários e ao lado das formações profissionais diversas, há um enorme desnível de prestígio e de poder entre essas profissões, decorrente da concepção generalizada em nossa sociedade de que o trabalho intelectual é superior ao manual.
Embora essa separação entre modalidades de trabalho tenha ocorrido num momento preciso da história e se aprofundado no capitalismo, como decorrência de sua organização interna, tudo se passa como se "fazer" fosse um ato naturalmente dissociado de "saber".
Essa dissociação entre "fazer" e "saber", embora a rigor falsa, é básica para a manutenção das classes sociais pois ela justifica que uns tenham poder sobre o labor de outros.
Certamente, esse processo está aqui descrito de modo muito simplificado. Mesmo assim, a descrição é útil para os nossos propósitos pois ela indica que, a partir dos lugares de onde se fala com autoridade na sociedade capitalista, o que é "popular" é necessariamente associado a "fazer" desprovido de "saber".
Chegamos aí ao nosso paradoxo. Pois é justa­mente manipulando repertórios de fragmentos de "coisas populares” que, em muitas sociedades, inclusive a nossa, expressa-se e reafirma-se simbo­licamente a identidade da nação como um todo ou, quando muito, das regiões, encobrindo a diversidade e as desigualdades sociais efetivamente existentes no seu interior.
Por mais contraditório que possa parecer, são exatamente esses objetos e modos de pensar considerados simplórios, rudimentares, desajeitados e deselegantes os que reproduzimos religiosa­mente em nossas festas e comemorações nacionais. É, freqüentemente, às chamadas "superstições populares- que recorremos em nossas aflições e para resolver o que, de outro modo, nos pareceria insolúvel.
Essa questão tem fortes ressonâncias “políticas”. Ela evoca imediatamente, por exemplo, as estra­tégias populistas de controle da sociedade. Mas, para não perder o fio da meada, reflitamos um pouco mais sobre a ambivalência de que estamos falando, considerando agora o significado do termo "cultura popular”, tal como ele freqüen­temente aparece no contexto da bibliografia especializada.
Na verdade, a maior parte do muito que já se escreveu sobre esse tema, sobretudo no Brasil, pode ser compreendido como tentativas, ainda que veladas, de resolver esse paradoxo.
Um grande número de autores pensa a "cultura popular" como "folclore", ou seja, como um conjunto de objetos, práticas e concepções (sobretudo religiosas e estéticas) consideradas "tradicionais".
Esse ponto de vista, profundamente arraigado entre muitos e notáveis pesquisadores, é, também, parte importante das opiniões correntes em nossa sociedade já que, freqüentemente, elas informam os livros didáticos e estão presentes nos museus e promoções oficiais de arte e cultura.

 
1 Registra A. Buarque de Hollanda, em seu conhecidíssimo Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa, que a palavra "cultura", em seu uso corrente, significa "saber, estudo, elegância, esmero"; ela evoca os domínios da filosofia, das ciências e das belas-artes.

CULTURA POPULAR [2]


Alguns pesquisadores mais sofisticados concebem essas manifestações culturais "tradicionais" como resíduo da cultura "culta" de outras épocas (às vezes, de outros lugares), filtrada ao longo do tempo pelas sucessivas camadas da estratificação social. Nesse sentido, diz-se: "o povo é um clássico que sobrevive". Afirma, por exemplo, Câmara Cascudo, um dos mais competentes folcloristas brasileiros, referindo-se ao modo de vida do sertão nordestino, no prefácio ao famoso Vaqueiros e Cantadores, "a culinária se mantinha fiel ao século XVIII”.
A indumentária lembra um museu retrospectivo. “As orações fortes, os hábitos sociais, as festas da tradição, as conversas, as superstições, tudo era o Passado inarredável, completo, no presente”.
Essa preocupação em fixar no tempo ocorre, freqüentemente, ao lado de um esforço em localizar no espaço a origem e vigência plena desses fragmentos de festas, danças, estórias, culinária, etc., em geral mal alinhavados pelo esforço globalizante dos pesquisadores e colecionadores.
Nas exposições ou museus de cultura popular, por exemplo, quase sempre se representam os países como mosaicos de regiões estanques, internamente homogêneas, como se as fronteiras administrativas e a variação ecológica correspondessem estritamente — e "causassem" — a diversidade cultural no interior da nação.
Os procedimentos de pesquisa coerentes com essa perspectiva são, conseqüentemente, a simples listagem e classificação de objetos, textos e práticas selecionados segundo o critério de "tradição", associados ao levantamento de informações sobre a sua origem e trajetória no tempo e no espaço.
Pensar a "cultura popular" como sinônimo de "tradição" é reafirmar constantemente a idéia de que a sua Idade de Ouro deu-se no passado. Em conseqüência disso, as sucessivas modificações por que necessariamente passaram esses objetos, concepções e práticas não podem ser compreendidas, senão como deturpadoras ou empobrecedoras. Aquilo que se considera como tendo tido vigência plena no passado só pode ser inter­pretado, no presente, como curiosidade.
Desse ponto de vista, a "cultura popular" surge como uma "outra" cultura que, por contraste ao saber culto dominante, apresenta-se como "totalidade" embora sendo, na verdade, construída através da justaposição de elementos residuais e fragmentários considerados resistentes a um processo "natural" de deterioração. Justificam-se, portanto, aos olhos desses teóricos, as tarefas de seleção, organização e reconstrução da "cultura popular" que os ocupantes dos lugares de poder da sociedade atribuem a si próprios.
Como que num exorcismo, esses fragmentos que teimam em emergir aqui e ali, em momentos cruciais de nossa vida, são deslocados para o passado e para outros lugares. O que é identificado e escolhido como elemento constitutivo das tradições nacionais é recriado segundo os moldes ditados pelas elites cultas e, com nova roupagem, desenvolvido, digerido e devolvido a todos os cidadãos.
Esses procedimentos podem ser compreendidos como parte de uma ginástica mental através da qual se procura solucionar um impasse que é da mesma natureza daquele que esboçamos no início deste capítulo, ou seja: como aceitar a recorrência e a força simbólica dos modos "populares" de expressão, sem comprometer a supremacia do saber das elites cultas? Essa tentativa, entretanto, é em vão: o impasse é insolúvel. Senão, vejamos.
Procurando-se "reproduzir" objetos e práticas supostamente cristalizados no tempo e no espaço, acaba-se por "produzir" versões modificadas, no mais das vezes esquemáticas, estereotipadas e, sobretudo, inverossímeis (aos olhos dos produ­tores originais) dos eventos culturais com os quais se pretende constituir o patrimônio de todos. Embora se procure ser fiel à "tradição", ao "passado", é impossível deixar de agregar novos significados e conotações ao que se tenta recons­tituir. Isso é inevitável, porque a própria reconsti­tuição é informada por e é parte de uma reflexão sobre a história da cultura e da arte que, em grande medida, escapa aos produtores "populares" da cultura.
Exemplo flagrante disso são os inúmeros grupos artísticos, em geral patrocinados por órgãos de Estado, que recriam em palcos do mundo todo músicas e danças "populares".
A produção empresarial da arte "popular" qualquer que seja a orientação ideológica e política de seus responsáveis retira-lhe duas dimensões sociais fundamentais. Alterando data, local de apresentação e a própria organização do grupo artístico, ela transforma em produto terminal, evento isolado ou coisa, aquilo que, em seu contexto de ocorrência, é o ponto culmi­nante de um processo que parte de um grupo social e a ele retorna, sendo indissociável da vida desse grupo. Os gestos, movimentos e palavras, em que pese todo o aperfeiçoamento técnico possível, tendem a perder o seu significado primordial. Eles deixam de ser signos de uma determinada cultura para se tornarem "representações" que "outros" se fazem dela.
Através de um esforço realizado, em geral, em nome da estética e da didática, enxugam-se-os eventos artísticos denominados "populares" de características consideradas inadequadas ou desnecessárias, sob o pretexto de revelar-lhes mais claramente a estrutura subjacente.
O resultado de procedimentos dessa natureza, entretanto, é o de "higienizar" esses eventos, ocultando os seus aspectos de pobreza, o seu caráter tosco e, aos olhos de muitos, grosseiro. Essas são reconstituições que o "saber" e o "gosto" cultos das elites podem abarcar. Mas, ao mesmo tempo, elas deixam de ser algo em que o seu "outro", indomesticável, possa reconhecer-se.
Ao se produzir o espetáculo, cortam-se as raízes do que, na verdade, é festa, é expressão de vida, sonho e liberdade. Vida que recusa identificar-se com as imagens fixas que o espelho "culto" permite refletir e que grande maioria dos museus cultua.
Em resumo, meu argumento neste capítulo é o seguinte. Parecem-me equivocadas as concepções, amplamente difundidas, tanto entre leigos, quanto entre muitos especialistas, que podem ser condensadas nas seguintes frases: "o povo não tem cultura", ou "a cultura popular são as nossas tradições-.
Quem é o povo de quem se fala? A expressão "cultura popular", nos dois usos analisados neste capítulo, implica em visões valorativas (negativas) dessa categoria social. Ela se refere, por um lado, a "povo-massa" (em contraposição a "elite"), pensando neste caso como suporte de um não saber. Por outro, como constituindo o espaço social onde se preservam (deturpam) as tradições nacionais.
É evidente o caráter autocentrado, para não dizer etnocêntrico e autoritário, dessas duas concepções. Nenhuma delas é capaz de compreender como possível e viável o que está fora dos seus próprios limites de racionalidade. Ambas são concepções que não se sustentam como objetivas.
Por outro lado, essas maneiras de pensar a cultura pressupõem ou que ela seja passível de cristalização, permanecendo imutável no tempo a despeito das mudanças que ocorrem na sociedade, ou, quando muito, que ela esteja em eterno "desaparecimento". Como sugerem os nossos exemplos, cultura é um processo dinâmico; transformações (positivas) ocorrem, mesmo quando Intencionalmente se visa congelar o tradicional para impedir a sua "deterioração". É possível preservar os objetos, os gestos, as palavras, os movimentos, as características plásticas exteriores, mas não se consegue evitar a mudança de signifi­cado que ocorre no momento em que se altera o contexto em que os eventos culturais são produzidos.
Para que se entenda isso, é preciso que se pense a cultura no plural e no presente e que se parta de uma concepção não normativa e dinâmica. Explicitar esse modo de compreender "cultura" será a nossa tarefa no próximo capítulo, ainda que ao preço de desmancharmos esse objeto ilusório que Antonio Gramsci tão expressivamente denominou, nas suas "Observações sobre o Fol­clore" (1935), de "aglomerado indigesto de fragmentos".

QUE ORGULHO É ESTE?

Um projeto faraônico de Estádio para Copa do Mundo de 2014 não é conduta de orgulho, mas soberba. A mais cara entre as idéias arquitetônicas das cidades sedes é também a de futebol mais insignificante. Neste ponto, o contraste denota arrogância, pratica-se a prepotência de fazer o impossível apenas para marcar uma passagem pública no poder, como se obras de grande impacto financeiro fosse o único meio de Homens Públicos entrarem para a história.

Como sentir orgulho de um futebol recalcado na gestão, falido como competição e inexistente como esporte nacional? Com representante apenas na série D do Campeonato Brasileiro, criada este ano, o futebol afundou nas cheias da incompetência e se apresenta para a copa do mundo como um futebol faraônico, pior que as disputas de campeonato amador e porque não dizer de “peladão”, esta sim, mais atrativas ao público que lotam os campos de várzeas para sua prática, com à apresentação de times amadores.

José Miguel Wisnik em seu livro Intitulado, Veneno Remédio: O futebol e o Brasil (Companhia das Letras, 2008) classificam os estudos de grande abrangência sobre o futebol, à abordagem as questões políticas, socioeconômicas e comportamentais em torno do esporte bretão, costumam deixar de lado o essencial: o jogo em si, aquilo que faz dele uma atividade capaz de apaixonar bilhões de pessoas dos mais remotos cantos do mundo, e porque não dizer da Amazônia, como foi a festa de comemoração de Manaus como sede em 2014, onde o jingle de “Eu tenho orgulho de ser amazonense” imperou nos alto-falantes do Estádio Vivaldo Lima, fazendo com que a população chegasse ao delírio.

O futebol, tal como foi incorporado e praticamente reinventado no Brasil, tem muito a dizer, com sua linguagem não-verbal, sobre algumas de nossas forças e fraquezas mais profundas, ajudando a ver sobre outra ótica as questões centrais de nossa formação e identidade. Partindo dessa premissa, os governantes aproveitam-se de projetos sociais e esportivos, tais como: Jovem Cidadão, Esporte e Lazer da Cidade e programas como o Segundo Tempo, para utilizar de mão de obra dos bolsistas e acadêmicos de Educação Física, como massa de manobra para seus projetos faraônicos e megalomaníacos.

É com esta visão que, temas recorrentes da nossa realidade futebolística vem a tona, como a “democracia racial” e o “homem cordial” e a degustação antropológica de influxo cultural e estrangeiro, encontrando aqui um viés inesperado e original como um corta-luz, um drible de corpo, porque não chamar de finta, um lançamento com efeito ou uma folha-seca; Jogadas que os craques brasileiros e porque não dizer “políticos-craques” inventaram ou desenvolveram, encontrando novos caminhos para chegar ao que é a vitória da politicagem.

O bordão utilizado para enaltecer a escolha do Estado como Sub-sede da copa de 2014 e fortalecer a campanha “orgulho de ser amazonense”, do governo, brinca com a fonética, maquia a realidade socioeconômica e esportiva do Amazonas e reinventa o significado do vocábulo “orgulho”. Brinca com a fonética porque deixa escapar, na pronúncia do narrador uma simples campanha política.

Maquia a realidade porque desvia a atenção apenas para o que está aparentemente bom e reinventa o sentindo de orgulho porque valoriza a soberba, a arrogância e a vaidade em detrimento do brio e da altivez. Essa é a genialidade da propaganda: desfigurar real e enganar.No esforço de rotular o orgulho, seja lá qual for ele, a publicidade oficial flerta com a vergonha amazonense. Afinal há mais motivos para encobrir a cara do que mostrá-la ao mundo, isso tudo é pouco para um Estado que almeja atrair todas as atenções mundiais, mas corre o risco de decepcionar. A torcida é para que a sociedade amazonense mande para escanteio a omissão e contra-ataque os desmandos públicos. Apenas assim é possível não só salvar como sentir o orgulho de ser amazonense.

A GEOPOLÍTICA DO FUTEBOL

É muito freqüente, quase um lugar comum, o comentário de que o futebol é uma arte. Em geral, esta afirmação se baseia nas belas jogadas executadas, nos dribles perfeitos, nas boas defesas, nos jogadores míticos etc. É esta a idéia que estrutura, por exemplo, a conhecida oposição entre os assim chamados "futebol-arte" e "futebol de resultados". Ao primeiro, associa-se a beleza do espetáculo, o prazer lúdico do jogo; ao segundo, a frieza dos objetivos, que, muitas vezes, segundo esse ponto de vista, estaria transformando esse esporte em um antiespetáculo, na medida em que sacrificaria a beleza do jogo em favor de um resultado final favorável, ainda que este seja obtido por meio de uma dinâmica pouco criativa e sem muitos atrativos para os espectadores. Sem querer entrar diretamente nessa polemica, é possível, todavia, introduzir uma outra perspectiva sobre as relações entre esse esporte e sua dimensão estética.

Podemos, na verdade, procurar a "arte" do futebol não somente em seus grandes momentos, na excelência e na excepcionalidade de seus grandes mestres, mas em sua própria concepção e na transformação da sua idéia em ato, ou seja, em sua execução. De forma mais simples, podemos ver essa atividade como uma arte, na medida em que ela produz uma estetização correspondente a uma atitude comum a várias dinâmicas sociais: a disputa territorial.

De fato, o futebol narra um combate. Duas equipes de igual número de jogadores dividem um terreno composto de dois lados dispostos simetricamente. Nesse campo estão desenhados os limites e os movimentos principais que guiam o jogo. Se tomarmos o esquema traçado no campo de cada uma das equipes, veremos que dois semicírculos em posição oposta significam principalmente a idéia de frentes, uma de ataque e outra de defesa, definindo um espaço que costuma ser chamado de "intermediária". Recuada em relação ao semicírculo da defesa, encontra-se a "pequena área". Este espaço demarca a idéia de iminência do gol, último bastião da defesa antes da meta.

Entre os jogadores e o campo há a intermediação de uma bola. Ela constitui, à primeira vista, o elemento central de disputa. Observemos, no entanto, que a bola não é cobiçada pelo simples interesse de guardá-la mais tempo ou de simplesmente possuí-la; ela é a forma explícita de demonstrar um domínio de uma equipe sobre a outra. Este fato é mais ou menos evidente, uma vez que os jogadores se distribuem pelo campo de forma a guardá-lo ou ocupá-lo, e, diferentemente das conhecidas peladas, não há a precipitação permanente de todos os jogadores em torno da bola. Mais ainda, esse domínio se traduz em gol quando a bola alcança o espaço mais guardado do campo do adversário. Em um certo sentido, é a posição da bola no campo, seu deslocamento, que, em última instância, informa-nos sobre a força e a fraqueza das duas equipes. Assim, quando na maior parte do jogo o predomínio do controle da bola se fez sobre o campo do adversário, dizemos que aquela equipe que a manteve mais tempo em situação de ataque, ou seja, no campo do outro, dominou o jogo; em outras palavras, dominou o adversário.

Queremos dizer que na organização de um jogo de futebol a bola é um instrumento de agressão e de imposição de um domínio, mas o verdadeiro objetivo, ou ainda para usar um vocabulário mais próximo desse universo, a meta é colocá-la entre as traves do adversário e demonstrar assim o domínio de uma das equipes sobre o campo como um todo.

Eis por que podemos ver nesse esporte uma estetização; ele fala de um combate, em igualdade de condições, entre dois grupos que disputam um campo entre si. Esta disputa não é direta, ou seja, os jogadores não se digladiam entre eles, para impor pela força um domínio este passa pela intermediação da bola. Assistir a um jogo de futebol significa assim, de alguma forma, reatualizar de forma metafórica um tipo de disputa pelo espaço.


Uma partida de futebol instala assim uma dinâmica de grupo, na qual são seguidas estratégias de combate, respeittando-se as regras que garantem os direitos e os deveres iguais para as duas equipes, ou seja, garante-se o combate dentro de um universo em que a violência deve permanecer controlada. Em sua expressão mais simples, o espetáculo se compõe de uma luta entre dois grupos coordenados, em disputa pelo domínio de um terreno, que se traduz no domínio da bola. Chamamos isso de esporte, mas poderíamos também chamar de arte, pois nesse espetáculo cada gesto é ritualizado e de fato, em seu conjunto, metaforiza os combates terri¬toriais que ocorrem no mundo. Neste último, no entanto, nem sempre as regras são estáveis; em geral, não há igualdade de condições, e a violência não é controlada.

A DEMOLIÇÃO DO ESTÁDIO VIVALDO LIMA

Não entendo o porquê da demolição do Estádio Vivaldo Lima, conhecido como “Vivaldão” sigo o pensamento do brilhante jornalista Juca Kfouri da folha de são Paulo. Sobre a construção de Estádios para a copa de 2014, diz o jornalista: “nem em Barcelona, onde a seleção Brasileira jogou, havia estádios novos. Nem em Madri, palco da final. No México, em 1986, a mesma coisa: nenhum Estádio novo. Já na Itália em 1990, teve um, Turim, Os Estados Unidos, no País mais rico do mundo, em 1994, também, sendo que o Brasil jogou no Estádio Universitário de Stanford, em Campos de Futebol Americano adaptados para o futebol. Na frança, em 1998, de novo apenas o State de France, no subúrbio de Paris, mas o Parque dos Príncipes foi usado, jogou-lhe, alias, até no velho campo de Marselhe, construído para a copa de 1938!”

Após criticar a orgia de gastos em locais que serão usados, no máximo para receber, três jogos da copa, evento que dura um mês, indaga: Precisamos mesmo de novos Estádios ou de um mínimo de transparências e vergonha na cara?”

Trazendo a situação para Manaus, vende-se o absurdo de propostas de demolição do Estádio Vivaldo Lima, para a construção no local de um novo Estádio. Não têm sentindo, pois o velho campo, ainda pode servir muito bem. Feitas as necessárias adaptações. Vários clubes de futebol do município não têm se quer campo para treinamento, tais como: Rio Negro, Sulamérica, América, Libermorro, dentre outros, todavia porque não pensam nesta hipótese. Mas, admitindo-se as idéia, porque não se edifica o projeto em outro local, mantendo-se, o atual, que serviria para o treinamento das equipes. Por exemplo, na Zona Norte da Cidade mais precisamente na Cidade Nova, ou então do outro lado do rio, com vista para a cidade e seu belo entorno, fato que talvez justificasse um pouco o empreendimento da ponte, sem a menor razão econômica, para talvez justificar a tal região a metropolitana.

O historiador Hilário Franco Júnior em seu livro intitulado: A Dança dos Deuses: Futebol, Sociedade e Cultura. (Companhia das Letras-2007), onde o autor argumenta sem limites, porém, fazendo uma análise histórica entendendo que “o futebol é metáfora de cada um dos planos essenciais do viver humano nas condições históricas e existenciais das últimas décadas.” Nesse sentido, procura examinar aquele esporte como metáfora sociológica, antropológica, religiosa, psicológica e lingüística. Somos levados a pensar, por exemplo, sobre os diferentes usos políticos do futebol, seja por regimes autoritários ou democráticos, tanto uns quanto outros sempre abraçados ao nacionalismo.

Mas prevalece a megalomania cabocla, em cima de interesses nem sempre confessáveis e confiáveis. A nova arena, depois do Mundial, ficará aí, faraônica e vazia, como somos ricos, mais que os americanos, que não fizeram um estádio para receber o mesmo evento, e como já resolvemos todos os nossos problemas de: Educação, infra-estrutura, saúde, produção, transporte e saneamento, pouco importa.

Em estudo intitulado: Vitrine ou vidraça: desafios do Brasil para a Copa de 2014, publicado no dia 02 de junho, o SINAENCO – Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Construtiva, alertando para a possibilidade de a copa agir como lupa para os defeitos estruturais do País. A avaliação toma Barcelona, na Espanha, como parâmetro positivo. Com recursos de 20 bilhões de dólares, a cidade foi totalmente remodelada a partir de diversas intervenções urbanas e revitalizações de equipamentos que precedem os Jogos Olímpicos de 1992. O parâmetro negativo está no próprio Brasil na preparação da cidade do Rio de Janeiro para os Jogos Pan-Americanos de 2007. Apesar de dispor de recursos bastante inferiores ao de Barcelona, o planejamento priorizou a construção de novos equipamentos mesmo quando havia possibilidade de adequação dos já existentes. Dessa maneira, os investimentos, de 3,6 bilhões de reais não se convertem em um legado de infra-estrutura urbana ou de benefícios para suprir as demandas diárias da população.

A referência mais significativa do insucesso da investida carioca é o estádio João Havelange, mais conhecido como Engenhão e erguido especialmente para o Pan de 2007 no bairro de Engenho de Dentro, na zona norte do Rio. O equipamento custou cerca de 380 milhões de reais, quase o dobro dos 200 milhões de reais previstos inicialmente, e sua construção não trouxe a prometida revitalização do bairro. Pelo contrário, a obra para degradação do entrono decorrente de sua implantação e ainda pela ociosidade a que está sujeita na maior parte do tempo – o estádio é usado somente para grandes jogos e permanece fechado para a comunidade carente de equipamentos para a prática de esportes e lazer. Somos campeões em tudo, haja subdesenvolvimento explícito, como a festa de comemoração que demonstrou, com direito a banda de música, socos no ar e espasmos incontroláveis por parte de organizadores. É demais para o coração hipertenso de um simples mortal.

quarta-feira, maio 05, 2010

Lazer em Cidades Amazônicas - Carauari


undefinedAspectos Históricos
A cidade de Carauari está localizada à margem esquerda do rio Juruá em terreno bastante elevado acidentado. O porto é franco, porém a ribanceira íngreme, vai se desmoronando devido o movimento impetuoso das águas do rio Juruá, que ali batem fortemente.
Quando da primeira denominação, diremos: - Xibauá é o nome de uma ave da família dos xexéus. Também pode ser estudada com a decomposição da palavra em “Xiba”, dança, espécie de batuque, usado pelos negros e índios, ao som dos tambores; e “ua”, forma contrátil de “iua”, braço; de onde se deduz que xibauá, significa; braço ou batuque ou baqueta com que se toca o tambor,  palavra Carauari, é originária da língua geral ou nheengatu.
A palavra é composta por “Cará” variedade de tubérculo comestível; e “Uari”, verbo cair, que entra na formação da palavra como oxítono Uari, Cará-Uári ou Cará-Uari “cará” que cai. Carauari, assim vem a ser uma variedade de trepadeira que produz tubérculos nos ramos, onde se desenvolvem, amadurecem e depois caem. Esses tubérculos são muito conhecidos pelo nome “Cará do Céu”.
A polpa do cará do céu é de sabor adocicado, dando à mastigação uma impressão de uma substancia arenosa. Estudando a palavra, buscando a raiz ou radical da palavra Cará, como ensina Barbosa Rodrigues no seu precioso “Muiraquitã”, verificamos que, este radica de origem asiática, tão freqüente nos termos indígenas, significa pedroso, superior, soberano, que é o branco invasor do novo continente; e Uari ou Uári, formando a palavra arauari, que seria: - queda do poderoso.
A denominação do município originou-se do lago “Carauari” que fica próximo à sede do município e liga-se por um canal ao rio Juruá. O rio Juruá, que era habitado primitivamente pelos índios Canamaris, Catuquinas e outros.
Em 26.11.1910, pela Lei nº 641, é criado um Termo Judiciário com a denominação de Xibauá.
Em 26.09.1911, pela Lei Estadual nº 683, é criado o município, com território desmembrado de município de Tefé, cuja comarca fica subordinada ao termo judiciário, e tendo por sede o povoado de Xauá.
Em 27.12.1912 pela Lei Estadual nº 1.006, Xauá é elevado à categoria de Vila e a sede do município é transferida para Carauari.
Em 25.04.1913, pela Lei Estadual nº 713, o município passa a denominar-se Carauari.
No ano de 1920, nos quadros de apuração do recenseamento, o município de Carauari é constituído de cinco distritos, que são: Carauari, Juruá Puca, Marari, Manichi e Palermo.
Em 05.11.1922, pela Lei 1.126, o termo de Carauari passou a subordinar-se à Comarca de São Felipe.
Em 02.10.1928, pela Lei Estadual nº 1.397, é criada a comarca de Carauari.
Em 28.11.1930, pelo Ato Estadual nº 45, o município é suprimido, anexando seu território ao município de Tefé. No ano seguinte, em 06.02, pelo Ato Estadual nº 234, o município é restabelecido.
Em 1933, na divisão administrativa e territorial (de 1936-37), figura o município com um só distrito.
O Termo Judiciário figura nas divisões a cima referidas subordinando a comarca de João Pessoa, ex- São Felipe.
Em 02.03.1938, pela Decreto-Lei Federal nº 311 a sede municipal recebe Foros de Cidade.
Em 05.03.1945, pelo Decreto nº 1.400, a Comarca de João Pessoa, a qual estava subordinado o termo de Carauari, passou a denominar-se Eirunepé.
No quadro vigente no qüinqüênio 1944-48, fixado pelo Decreto-Lei Estadual nº 1.186, de 31 de dezembro de 1943, e modificado pelo de nº 140, de 5 de março de 1945, o Município figura com um só distrito, abrangendo quinze sub-distritos, que são: Carauari, Ipiranga do Juruá, Renascença, Concórdia, Santa Rosa, Ainajá, Imperatriz, Marari, S. Romã, Vista Alegra, Santos Dumont, Gaviãozinho, Soledad, Três Unidos, Aquidabã.
Em 24.12.1952, pela Lei Estadual nº 226, é restaurada a comarca de Carauari.
Em 25.04.1953, ocorre a reinstalada da comarca de Carauari.
Em 19.12.1955, em virtude da Lei nº 96, o município perdeu os subdistritos de Itapiranga do Juruá, Renascença, Concórdia e parte do de Santa Rosa para o novo município de Juruá e parte do subdistrito Aquidabã para também o novo município de Envira.
Em 10.12.1981, pela Emenda Constitucional nº 12, parte do território de Carauari é desmembrada, em favor do novo município de Itamarati.
Sobre a criação do município de Carauari existe controvérsia motivada pela falta de clareza da Lei n º 76, de 8 de dezembro de 1984. O fato é que a citada Lei dá como sede do novo município o lugar São Felipe.
Nenhuma das duas sedes do município foi elevada à vila e nem o município teve uma denominação definida. No mesmo ano, a Lei nº 133 de 5 de outubro, eleva o Termo Judiciário de Carauari à Categoria de Comarca e para esta foi nomeado Juiz de direito o Dr. Jorge Augusto Studart. Autorizado pelo Governo a rever os limites dos municípios do Estado por Lei nº 160 de 23 de junho de 1986, foi lavrado o Decreto nº 122, de 7 de agosto do mesmo ano, fixou as divisas do município de Tefé com o de Carauari, colocando, entretanto, a sede deste, dentro do território daquele, uma vez que fixou a foz do rio Tarauacá como ponto de divisas.
O decreto nº 122, criado, definiu a situação do município de Carauari; porém devido àquela irregularidade, surgiu o Decreto nº 125, de 11 de agosto de 1986, que transfere a sede do Município de Carauari, para São Felipe. Nova confusão, porque o Município de Carauari, nesta nova sede jamais foi conhecido por seu nome, somente por São Felipe.
Novos passos para a criação do município de Carauari. Por Lei nº 641, de 26 de novembro de 1910, que revoga o artigo 4º da Lei de Reorganização Judiciária nº 333, de 14 de fevereiro de 1901, criou um novo termo judiciário na comarca do Município de Tefé, tendo por sede o lugar Xibauá, sendo este instalado pelo Juiz Municipal Dr. Luiz Alves da Costa.
O termo judiciário de Xibauá passou a constituir o município deste nome, por Lei nº 683 de 27 de setembro de 1911, que também elevou a povoação à categoria de vila, sendo instalada pelo primeiro Superintendente Anastácio Cavalcante.
Em virtude do Decreto nº 1006, de 27 de dezembro de 1912, a sede do município foi transferida para o lugar Carauari, que já havia sido sede do município de São Felipe.
A Lei nº 173, de 25 de abril de 1913, muda o nome do município de Xibauá, para Carauari.
A Lei nº 1126 de 5 de novembro de 1922, foi o Termo desmembrado de Tefé para ser anexado à comarca de São Felipe.
Por projeto de 20 de setembro de 1928, dos deputados Raul Azevedo, Gentil Augusto Bittencourt, Anquises Cabral Raposa Câmara, Franklin Washington de Almeida, Análio de Melo Resende e Aprígio Martins de Menezes, convertido em Lei nº 1397, de 2 de outubro do dito ano, foi o de Carauari elevado à categoria de comarca, sendo instalada em 1º de janeiro de 1929, pelo Juiz de direito Dr. Alencastro Ramos e Silva.
O Decreto nº 29, de 14 de novembro de 1930, do Governo Revolucionário, extinguiu a comarca e mandou anexar o termo judiciário de Carauari à comarca de São Felipe, atual João Pessoa (Eirunepé). Ato nº 28 do mesmo mês e ano, extinguiu o município e mandou anexa-lo ao de Tefé.
O município readquiriu sua autonomia pelo Ato nº 234, de 6 de fevereiro de 1931.
O Decreto Lei nº 68, de 31 de março de 1938, dando execução ao Decreto-Lei Nacional nº 311, de 2 do dito mês e ano, elevou a Vila de Carauari à categoria de cidade, com a mesma denominação, sendo instalada em 1º de janeiro de 1939.
http://1.1.1.3/bmi/www.bv.am.gov.br/portal/conteudo/municipios/images/ah_seta2.gifLimites
• Município de Tefé
• Município de Tapauá
• Município de Itamarati
• Município de Jutaí
• Município de Juruá
http://1.1.1.3/bmi/www.bv.am.gov.br/portal/conteudo/municipios/images/ah_seta2.gifLocalização: 4º Sub-Região – Região do Juruá
http://1.1.1.3/bmi/www.bv.am.gov.br/portal/conteudo/municipios/images/ah_seta2.gifAltitude: 30 m acima do nível do mar.
http://1.1.1.3/bmi/www.bv.am.gov.br/portal/conteudo/municipios/images/ah_seta2.gifÁrea Territorial: 25.324 Km²
http://1.1.1.3/bmi/www.bv.am.gov.br/portal/conteudo/municipios/images/ah_seta2.gifTemperatura Média: 23,3º C
http://1.1.1.3/bmi/www.bv.am.gov.br/portal/conteudo/municipios/images/ah_seta2.gifAcesso: Via Fluvial
http://1.1.1.3/bmi/www.bv.am.gov.br/portal/conteudo/municipios/images/ah_seta2.gifDistância
• Em linha reta entre Carauari e a Capital do Estado, 780 Km.
• Por via fluvial entre Carauari e a Capital do Estado, 1.676 Km.
http://1.1.1.3/bmi/www.bv.am.gov.br/portal/conteudo/municipios/images/ah_seta2.gifAtividades Econômicas
• Setor Primário
- Agricultura: baseada principalmente no cultivo da mandioca para a produção de farinha, seguindo-se abacaxi, arroz, batata-doce, cana-de-açúcar, feijão, fumo, milho, abacate, banana, côco, laranja entre as culturas perenes.
 As demais produtos agrícolas não concorrem para a formação de renda do agricultor, pois são produzidos para a subsistência das famílias.
- Pecuária: a criação de gado vem crescendo.
- Pesca: a população do interior, tem no pescado sua principal fonte de alimentação, mas no presente momento não está sendo explorado como fonte de economia para os pescadores em virtude da falta de infra-estrutura para atender ao setor, mas mesmo assim a exportação de peixe liso e pirarucu, responde por uma parte da renda familiar de alguns trabalhadores do setor.
- Avicultura: insignificante, sem nenhuma representatividade para o setor, restrita a criação de galinhas para o consumo familiar.
- Extrativismo Vegetal: concentra-se principalmente na borracha, gomas não elásticas, madeira e castanha.
- Extrativismo Mineral: baseia-se na prospecção de petróleo e gás natural através da PETROBRAS.
• Setor Secundário
- Indústrias: olarias, fabricação de móveis de madeira, serrarias, indústrias de madeira, embarcações e motores, panificadoras, usina de beneficiamento de arroz, fábrica de gelo e estaleiros.
• Setor Terciário
- Comércio: atacadistas e varejistas.
- Serviços: postos de gasolinas, oficinas de reparos de autos e bicicletas e agências de bancos.
http://1.1.1.3/bmi/www.bv.am.gov.br/portal/conteudo/municipios/images/ah_seta2.gifEventos
•  Procissões como a de São Sebastião (janeiro)
•  Corpo de Deus (4maio)
•  Assunção de Nossa Senhora (agosto)
•  São Francisco (outubro)
•  Nossa Senhora da Conceição – Padroeira do município (dezembro)
http://1.1.1.3/bmi/www.bv.am.gov.br/portal/conteudo/municipios/images/ah_seta2.gifTurismo
•  O município de Carauari é banhado pelo rio Juruá, considerado o mais sinuoso do mundo. É também um dos mais belos cursos d´água da região Amazônica. As suas margens apresentam aspecto selvático e atraente.
•  O local Xibauá está situado à margem esquerda do rio Juruá. É uma bela terra firme, elevada e plana.